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21/03/11 - Dilma Rousseff e a coerência no combate à inflação

 

 


Artigo da Meta Consultoria e Comunicação Ltda
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Rio de Janeiro, 18 de Março de 2011

Dilma Rousseff e a coerência no combate à inflação

Nilson Mello*

A presidente Dilma Rousseff quer combater a inflação com crescimento, informam os jornais desta sexta-feira, repercutindo entrevista publicada ontem pelo Valor Econômico.

A declaração da presidente é boa e ruim ao mesmo tempo. Boa porque está em linha com outras tantas falas desde a posse, em janeiro, que denotam responsabilidade e acuidade para identificar as reais dificuldades do país.

Ruim, por outro lado, porque deixa transparecer que o seu governo, embora esteja ciente dos riscos de um descontrole inflacionário (o que, na verdade é o mínimo que se poderia esperar diante dos visíveis avanços dos preços), não é claro quanto às providências a serem tomadas para evitá-lo.

Dilma Rousseff afirmara, na entrevista ao Valor de quinta-feira, que seu governo “não negocia com a inflação”, uma frase lapidar. Mas ao mesmo tempo afirma que não há pressão de demanda, nem descompasso entre oferta e procura por serviços e produtos.

Para quem não acompanha Economia no dia a dia, é preciso esclarecer que inflação nada mais é que a alta dos preços provocada por um crescente aumento do consumo sem o compatível crescimento da produção. Sempre que a procura for maior que a oferta, o preço dos produtos e serviços tendem a subir, sendo a recíproca inversa verdadeira (procura menor, preços menores).

Não adiante ser contra essa “Lei” da Economia porque ela não é invenção de um ser humano malévolo. Da mesma forma que não adiante ser contra a Lei da Gravidade – e ignorá-la pode ser fatal. A Ciência Econômica exige respeito a seus princípios.

Pois bem, quando se diz que uma economia se desenvolve de forma sustentável, com estabilidade monetária, ou seja sem inflação, significa que sua produção está crescendo a taxas compatíveis com o gradual aumento da demanda por parte dos consumidores, sem, portanto, gerar pressões sobre os preços.

Esse é, evidentemente, o melhor dos mundos, porque permite um ambiente com aumento de produção, emprego, renda e, consequentemente, bem-estar social.

Mas para que isso ocorra, é preciso que essa economia tenha sido capaz de promover contínuos e crescentes investimentos em sua capacidade de produção – o que inclui não apenas investimentos em fábricas como também em rodovias, ferrovias portos, aeroportos, hidrelétricas, linhas de transmissão etc. E isso, definitivamente, o Brasil não fez – ao menos não na medida esperada.

O consumo no Brasil tem crescido bastante por conta da própria estabilidade da Economia, alcançada com o Plano Real, que permitiu o ingresso de novas parcelas de pessoas na classe média. Parte desse crescimento é também decorrente do aumento das despesas do próprio governo nos últimos anos, o que nem sempre é positivo, porque reflete desperdício de recursos e inchaço da máquina pública, com ineficiência.

Como o consumo maior sem o compatível aumento da capacidade de produção gera inflação e, uma vez que no curto prazo, não é possível promover investimentos que eliminem instantaneamente o descompasso entre demanda e oferta, a única saída para conter a inflação é frear o crescimento do consumo. Em outras palavras, é preciso tomar medidas amargas e impopulares, como elevação dos juros e redução do crédito, até que a inflação volte a se comportar. Governo responsável toma tais medidas.

De volta ao primeiro parágrafo, a contradição da presidente Dilma Rousseff reside no fato de não admitir, em suas declarações, reduzir o crescimento, como forma de conter a alta dos preços, ao mesmo tempo em que bravateia que seu governo “não negociará com a inflação”. Até porque medidas para conter o consumo, como alta da taxa de juros e contingenciamento do Orçamento, já estão sendo tomadas.

A contradição é ainda maior quando a presidente garante, pessoalmente, que não há indícios de inflação de demanda (descompasso entre procura maior do que oferta), alegando que são avanços isolados dos preços, enquanto integrantes de seu governo - como o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini - reconhecem que é justamente o que está acontecendo. Os indicadores, por sinal, já mostram claramente que os aumentos estão espalhados por vários setores da economia, num claro indício desse choque de demanda.

Naquela surrada discussão entre supostos “desenvolvimentistas” e monetaristas, os primeiros seriam os bonzinhos porque não gostam de aumento de juros. Mas o fato é que todos querem desenvolvimento econômico. Só que não há crescimento sustentável em ambiente inflacionário, algo que os “desenvolvimentistas” não conseguem enxergar.

O combate à inflação vai exigir postura firme e coerente do governo. É o maior desafio de Dilma Rousseff este ano. Aguardemos.

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11/03/11 - Alemães, franceses e suas ambiguidades

 


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Rio de Janeiro, 11 de Março de 2011

Alemães, franceses e suas ambiguidades

Nilson Mello*

Quase 100 mil soldados franceses haviam morrido tentando impedir o avanço nazista em 1940, quando a França, sob a liderança do marechal Pétain, ex-herói da Primeira Guerra, decidiu firmar um armistício com a Alemanha de Hitler. Outros 250 mil estavam feridos e cerca de 500 mil já haviam sido aprisionados e enviados a campos de prisioneiros, de onde só sairiam cinco anos depois, se sobrevivessem às severas condições.

Eram militares profissionais, alguns veteranos da Grande Guerra, mas também reservistas que deixaram suas ocupações nas cidades e no campo, e suas famílias, para lutar contra os invasores.

A esses se juntariam, nos anos seguintes, mais um milhão de franceses, enviados a campos de prisioneiros, de concentração ou de extermínio, por combater os alemães, integrando os grupos da Resistência (os maquis), por não colaborarem com a Alemanha como Berlim entendia que devessem fazer ou simplesmente por serem judeus, ciganos, eslavos, comunistas...

A população da França na época era de aproximadamente 40 milhões. O que significa que provavelmente nenhuma família francesa deixou de ter um parente ferido, morto ou aprisionado pelo regime nazista. Sem contar os amigos, vizinhos, conhecidos, empregados.

Ainda assim, Pétain entendia ser possível estar à frente de um regime fantoche, sediado em Vichy, com relativa autonomia administrativa sobre a metade sul do país, trabalhando pelos interesses da França ao mesmo tempo em que era vassalo de seus ocupantes.

Vinho & Guerra – os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França, de Don e Petie Kladstrup (Editora Zahar, 2002, 254 páginas), mostra que a credibilidade de Vichy e as ilusões criadas pelo seu ex-herói não demoraram muito a ruir.

Como seria possível degustar um bordeaux num café dos Champs Elysées como se nada tivesse acontecido, enquanto oficiais alemães circulavam pelas ruas ditando o ritmo da vida com seu “passo de ganso” e mais de um milhão de compatriotas apodreciam em prisões nazistas?

O livro do casal Kladstrup expõe as incongruências do regime de Vichy e dos próprios franceses pela ótica dos vinicultores. Mais de 320 milhões de garrafas de vinho - relatam os autores -, alguns dos melhores rótulos e safras, foram envidas anualmente para a Alemanha durante o período de ocupação gerando imensos prejuízos para a França e seus produtores.

O confisco disfarçado do “maior tesouro da França” foi razão mais do que suficiente – se já não houvesse outras tantas - para que as grandes maisons bem como os pequenos produtores de vinho colaborassem decisivamente com a Resistência. As histórias de sabotagem, dissimulação e trapaça para esconder os melhores vinhos dos nazistas são saborosas, apesar do drama envolvido – ou talvez por isso mesmo.

Drama que chegou ao extremo nas famílias da Alsácia. A região, na fronteira dos dois países e que, ao longo da história, ora era francesa, ora alemã, foi prontamente anexada por Hitler em 1940. Não se tratava de território francês ocupado, mas, na visão germânica, da própria Alemanha. Muitas dessas famílias tinham filhos lutando em lados opostos: combatendo como voluntários, entre os aliados; e recrutados pelo Exército alemão e enviados, a contragosto, à frente russa.

Uma vida de ambiguidades foi o que restou aos franceses naqueles difíceis anos do regime de Vichy. Pétain foi julgado como traidor ao término da Guerra. O livro não discorre sobre este capítulo e nem analisa o que passava pela cabeça do velho marechal. Não é este seu foco. Mas indiretamente nos induz a reflexões.

Pétain vislumbrou para a França derrotada militarmente uma saída política dentro de uma nova ordem mundial que, supunha, estaria por muito tempo sob a égide nazista. Contudo, não deixa de ser espantoso como um experiente militar e político pôde levar tão longe suas ilusões e, durante algum tempo, ludibriar seu povo, fazendo-o acreditar nelas. Mas os franceses não têm do que reclamar. Antes disso, do outro lado da fronteira, um grande farsante já levara o povo alemão a um pesadelo muito pior.

Passados mais de 60 anos do fim da Segunda Guerra o que mais impressiona é justamente constatar que dois povos dos mais cultos e desenvolvidos do mundo, alemães e franceses, seguiram seus líderes em aventuras que não poderiam ter outro desfecho a não ser tragédias de grandes proporções.

Fortalecer instituições, ao invés de apostar nos líderes, desconfiando sobretudo dos mais carismáticos, pode ser um antídoto a essas tragédias.

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21/02/11 - Reforma política, reforma da sociedade

 

 


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Rio de Janeiro, 18 de Fevereiro de 2011

Reforma política, reforma da sociedade

Nilson Mello*

A insistência do PT e da presidente Dilma Rousseff pelo voto em lista - uma das opções da reforma político-eleitoral que começa a ser debatida no Senado nesta terça-feira (22) – chama a atenção porque, das possibilidades de mudança, é a que implica maior tutela dos partidos sobre a vontade do eleitor.

O fim do sistema proporcional, pelo qual hoje se vota num candidato, mas acaba-se elegendo outro, em função do quociente eleitoral, é um dos principais objetivos da reforma. Ou, ao menos, é um dos seus objetivos justos e confessáveis.

O voto proporcional é uma anomalia, na medida em que legendas com grandes puxadores de voto, como o palhaço (sem trocadilho aqui) Tiririca, conseguem eleger correligionários inexpressivos e com votação rarefeita. Candidatos de votação expressiva e passado mais coerente com a vida pública acabam sobrando no modelo proporcional.

Grande anomalia é também a eleição em si de palhaços (aqui com trocadilho) como o Tiririca, ou seja, candidatos sem qualquer compromisso programático, vivência política e experiência profissional relevante para a vida parlamentar.

O antídoto ao candidato meramente popular e populista pressupõe outra reforma muito mais complexa que é a reforma da sociedade, independentemente do modelo eleitoral adotado.

Por ora o que está em jogo é a substituição do voto proporcional, que trai a vontade das urnas. Entre um número interminável de modelos, tão variados quanto nossa imaginação, pode-se, resumidamente, avaliar três: o voto em lista; o voto distrital; e o voto distrital misto, uma mistura, como o próprio nome diz, dos outros dois.

O voto em lista acaba com o vício proporcional, mas dá ao partido amplos poderes para indicar quem será o candidato. O eleitor vota na lista do partido, distanciado de uma escolha mais genuína.

O voto distrital puro, por sua vez, além de afastar as distorções decorrentes da proporcionalidade, tem a vantagem óbvia de fazer com que cada candidato se comprometa com o seu distrito – ao mesmo tempo em que permite uma maior fiscalização do eleitor sobre seu desempenho.

A desvantagem do voto distrital puro é o risco de se restringir a representação no Congresso a interesses “paroquiais”, comunitários, distanciando os parlamentares das grandes causas nacionais.

O modelo distrital misto, por sua vez, eliminaria esse risco ao estabelecer que parte dos candidatos seria eleita por seus distritos, diretamente, e outra parte eleita dentro da lista pré-definida pelo partido. O eleitor votaria no candidato de preferência no seu distrito e também na lista do partido de sua preferência.

Dessa forma, seriam eleitos candidatos comprometidos, teoricamente, com as grandes causas nacionais e com a orientação política e ideológica dos partidos. Ao mesmo tempo, a relação direta entre eleitor e eleito não seria comprometida. Isso tudo livre das conhecidas distorções do modelo proporcional.

Sem dúvida, um avanço. Livraria o Brasil de um mau Congresso? Com certeza, não. Para tanto, como dito acima, seria preciso reformar a sociedade. E o que significa essa reforma? Investir pesadamente em educação, dentro de programas de longo prazo, não sujeitos às alternâncias de poder. Tarefa para muitos anos, muitas décadas, mas já é hora de começarmos.

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10/02/11 - Lula, Esopo e a inflação (de volta)

 

 


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Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2011

 

Lula, Esopo e a inflação (de volta)

Nilson Mello*

A primeira bomba-relógio deixada como armadilha pelo governo Lula para a sua sucessora começa a mostrar o seu alcance devastador. A frouxa política fiscal ajudou a trazer a inflação de volta. Debelá-la agora passa a ser muito mais difícil.

O mau uso dos recursos públicos, que não foram aplicados na eliminação dos custos de produção, mas sim em custeio de uma máquina pública cada vez mais opulenta, contribuiu decididamente para a retomada da alta dos preços.

Uma política monetária ainda mais restritiva do que o recomendado foi a saída para compensar os gastos exagerados do populismo da administração Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo que tenha havido redução relativa das taxas, elas tiveram que ser mantidas em patamares elevados. Os juros altos decorrentes dessa política monetária pressionaram a dívida pública e se tornaram custo adicional para as empresas. O remédio amargo tende a ser cada vez menos eficiente – e cada vez mais amargo.

O Brasil poderia ter aproveitado o período de bonança da economia mundial, pré-crise 2008/2009, e da estabilidade interna para investir em infraestrutura, em tecnologia e desenvolvimento, ou seja, em áreas que contribuíssem para o aumento da capacidade de produção de nossa economia.

Mas a demagogia optou pelo inchaço da máquina pública. E pelo fomento ao consumo, produzindo uma ilusão na mente dos brasileiros que saíam da faixa de miséria por obra da estabilidade econômica conquistada e mantida nos três governos anteriores.

A falsa realidade chegou ao fim. Lembrando a conhecida fábula de Esopo, o governo Lula agiu como cigarra, ao invés de trabalhar como formiga.

Pressionada pelos fatores externos, como a alta dos preços das commodities, a inflação recebe uma baforada extra do impacto dos conhecidos custos de produção: tributação alta; excesso de burocracia; rodovias, portos, ferrovias e setor elétrico deficientes; insegurança jurídica, entre outros.

Para completar, a política cambial adotada nos últimos tempos, visando conter a desvalorização do dólar, entrou em contradição com a política monetária. Dólar em queda ajudaria na contenção da alta dos preços. A competitividade do produto nacional deveria ter sido obtida pela eliminação dos mencionados gargalos de produção. Mas isso exige um governo sério, mais afeito ao trabalho do que ao palanque.

O ministro Guido Mantega terá a firmeza e a competência necessárias para enfrentar a questão? No mercado financeiro há quem o chame de estagiário de Economia! Ou a estabilidade econômica, com controle da inflação - conquista do povo brasileiro, nas palavras da própria presidente Dilma Rousseff -, já virou coisa do passado?

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04/02/11 - Um acerto no início de mandato

 

 

 


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Rio de Janeiro, 04 de Fevereiro de 2011

 

Um acerto no início de mandato

Nilson Mello*

Os custos de produção na China são bem menores que os das indústrias brasileiras por diversos motivos, mas especialmente porque os salários são menores, salienta a Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

A entidade, justificadamente, está preocupada com a crescente perda de competitividade dos produtos brasileiros para os seus concorrentes chineses. Por isso, apresentou esta semana um estudo detalhado de como a concorrência chinesa está minando a indústria brasileira.

Informa o estudo, após coleta de informações junto a 1.529 empresários, que 67% das empresas brasileiras que competem com empresas chinesas, no segmento industrial, perderam espaço no mercado internacional em função da valorização do real.

Não é pouco, sobretudo se considerado que mais da metade das indústrias brasileiras exportadoras concorre com empresas chinesas. São receitas e empregos que o país está deixando de gerar.

Em pesquisa do mesmo tipo feita anteriormente, em 2006, o percentual de empresas prejudicadas era de 54%. O que comprova que a perda de competitividade vem se acentuando à medida que o dólar perde valor em ralação ao real – e outras moedas – e ao mesmo tempo em que a China atrela o yuan à moeda norte-americana, numa manobra cambial para manter seus produtos baratos e não perder clientes.

Os EUA tentam estimular a sua economia, ainda na esteira da crise de 2008. A China tenta se defender do remédio adotado pelos EUA.

O impasse: não é possível determinar à China que mude sua política cambial, a fim de que as indústrias brasileiras não sejam ainda mais prejudicadas. E não é possível obrigar os Estados Unidos a parar de fazer as emissões que inundam o mercado internacional de dólares e, consequentemente, pressionam a valorização de outras moedas.

O que o Brasil pode fazer para recuperar a sua competitividade – independentemente das políticas monetárias e cambiais adotadas mundo afora - é eliminar outros custos que encarecem seus produtos. E isso não significa que os salários dos trabalhadores tenham que ser mais baixos, ou tão baixos quanto os da China.

Neste sentido, a iniciativa anunciada pelo governo Dilma Rousseff de começar ainda este ano um programa de desoneração da folha de pagamentos é elogiável. A medida contribuirá para dar mais competitividade às empresas brasileiras e de quebra ainda estimulará o emprego formal – o que, por sua vez, tende a promover uma melhora relativa dos salários apenas em função da maior demanda por mão de obra.

Setores da indústria acertam quando informam a perda de competitividade, em relatório detalhado. Mas erram ao tentar atrelar o problema essencialmente à valorização do real, que é resultado de fatores sobre os quais o Brasil não tem controle. Erram também ao esperar que o país copie a China, adotando uma política cambial artificial, que gera outras distorções.

Melhor, desta vez, fez o governo, que enfrentou a questão atacando uma de suas raízes – o custo do emprego. Na seqüência, também poderia começar a trabalhar na redução e simplificação dos impostos, na diminuição da burocracia e no aumento dos investimentos em infraestrutura – eliminando assim outros fatores que minam a competitividade da empresa brasileira frente aos seus concorrentes na China e no mundo.

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