Noticiário do Dia

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Bolsonaro diz que auxílio emergencial deverá ter quarta parcela

2. Investigado por desvios na saúde, Edmar Santos deixa o governo Witzel

3. Câmara aprova Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda

4. Bolsonaro analisa três nomes e prevê evangélico para STF

5.  De motor a vilão: consumo das famílias puxa PIB para baixo

6. Com pandemia, PIB do Brasil encolhe 1,5% no 1º trimestre e regride ao patamar de 2012

7. Pandemia do coronavírus derrubou PIB do 1º trimestre; veja atividades mais afetadas em cada setor

8. Em dia de tombo do PIB, Guedes pede 'solidariedade' para retomada rápida da economia

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Bolsonaro diz que auxílio emergencial deverá ter quarta parcela

29/05/2020
Rafael Vilela
Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (28) que o governo deve propor uma quarta parcela do auxílio emergencial, atualmente em R$ 600, mas que o valor ainda está em estudo pelo governo, que poderá reduzi-lo.

"Nós já estudamos uma quarta parcela com o Paulo Guedes. Está definindo o valor, para ter uma transição gradativa e que a gente espera que a economia volte a funcionar", afirmou o presidente durante sua live semanal, transmitida pelas redes sociais.

O auxílio emergencial prevê o pagamento de três parcelas de R$ 600 para trabalhadores informais, integrantes do Bolsa Família e pessoas de baixa renda. De acordo com a Caixa Econômica Federal, cerca de 59 milhões de pessoas já receberam o benefício. Cada parcela do auxílio emergencial custa aos cofres públicas cerca de R$ 48 bilhões.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a permanência por mais tempo do pagamento do auxílio emergencial, mantendo-se o valor de R$ 600.

Carteira verde e amarela
Bolsonaro disse que, após a pandemia da covid-19, uma das prioridades do governo, na área econômica, será a retomada do projeto da chamada Carteira de Trabalho Verde e Amarela, programa do governo que flexibiliza direitos trabalhistas como forma de facilitar novas contratações. Segundo o presidente, o assunto está sendo tratado com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

"O Paulo Guedes quer dar uma flexibilizada para facilitar a empregabilidade. A gente vai precisar disso, não adianta falar que tem todos o direitos e não ter emprego pela frente. Só tem uma maneira: desonerar, descomplicar, simplificar a questão trabalhista", afirmou.

A Medida Provisória 905, que criou o Programa Verde Amarelo, para facilitar a contratação de jovens entre 18 a 29 anos, perdeu a validade antes de ser aprovada pelo Congresso, em abril.

Privatizações
Sobre privatizações de estatais, o presidente disse que o governo esperar avançar com essa agenda após o fim da pandemia, mas ressaltou as dificuldades para aprovação no Parlamento.

"Estamos sim buscando privatizar muita coisa, mas não é fácil. Tem empresas que obrigatoriamente passam pelo Congresso, vai ter reação", disse. Uma das empresas que Bolsonaro disse que será privatizada são os Correios.

Apesar de querer acelerar as privatizações, o presidente afirmou que algumas estatais, consideradas estratégicas, não vão ser vendidas, e citou nominalmente os casos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, o "núcleo" da Petrobras e a Casa da Moeda.

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  Investigado por desvios na saúde, Edmar Santos deixa o governo Witzel  

 

29/05/2020
Douglas Corrêa
Agência Brasil

O governo do estado do Rio confirmou agora à noite que Edmar Santos pediu exoneração ao governador Wilson Witzel do cargo de secretário extraordinário de Acompanhamento da Covid-19. Santos foi nomeado após deixar o cargo de secretário de Estado da Saúde e era investigado por desvios na construção de hospitais de campanha e na compra de respiradores para equipar as unidades de saúde. Com a decisão, Santos perde o foro privilegiado.

Como secretário extraordinário de Acompanhamento da Covid-19, Santos era responsável por gerir o conselho de notáveis, formado por especialistas e professores universitários e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que discutiam as ações de combate à pandemia no estado.

Ontem (27), por decisão da 6ª Vara de Fazenda Pública do Rio, a juíza Regina Chuquer determinou o afastamento de Edmar Santos do cargo de secretário extraordinário de Acompanhamento da Covid-19.

Na decisão, a juíza disse que apesar de responsabilidade e livre escolha do governador na nomeação de membros do secretariado, "essa discricionariedade não é um cheque em branco". Segundo Regina, a nomeação de Edmar Santos após as denúncias de corrupção dentro da secretaria não cumprem os princípios constitucionais de moralidade e probidade administrativas.

O governo do estado informou ontem que cumpriria a determinação da Justiça, mas que recorreria da decisão.

 

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 Câmara aprova Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda

29/05/2020
Fábio Massalli
Agência Brasil

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quinta-feira a Medida Provisória 936/2020, que institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. O dispositivo permite, durante o período de estado calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus, a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias e também possibilita a redução de salários e da jornada de trabalho pelo período de até 90 dias. O texto segue para análise do Senado.

Após a aprovação do texto-base, com parecer do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), os parlamentares votaram os destaques, dos quais quatro foram aprovados. Um deles, de autoria do PP, manteve a regra de cálculo do benefício prevista na MP original, baseada no seguro-desemprego. O texto de Silva propunha que o cálculo fosse feito a partir da média dos últimos três salários, limitado a um valor de três salários mínimos.

O PP também teve outro destaque aprovado, que retirou a necessidade de assessoramento do sindicato na homologação da rescisão contratual durante o estado de calamidade pública decretado em função da pandemia de covid-19.

Também foi aprovada uma emenda de autoria do deputado Vinícius Carvalho (Republicanos-SP) que retomou o texto da MP 905/19, do Contrato Verde e Amarelo, cuja votação não foi concluída pelo Congresso e perdeu a validade. A emenda mantém a carga diária de seis horas apenas para os caixas de bancos e para funcionários que ganham gratificação de função de 40% ou mais. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) proíbe a jornada menor para gratificações de 33% ou mais do salário.

A última emenda aprovada, de autoria do deputado Christino Aureo (PP-RJ), trata de débitos trabalhistas. Pelo texto aprovado, a correção monetária desses débitos será calculada pelo índice da poupança, com cálculo pela forma de juro simples. Entretanto, se houver condenação judicial, a correção será pelo IPCA-E, mais a taxa de poupança.

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 Bolsonaro analisa três nomes e prevê evangélico para STF

29/05/2020
Rafael Vilela
Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que indicará um jurista evangélico para uma das vagas que serão abertas para o Supremo Tribunal Federal, neste ano e no ano que vem. A declaração foi dada esta quinta-feira (28), durante sua live semanal, transmitida pelas redes sociais. No momento em que falou sobre o assunto, o presidente respondia, ao vivo, a pergunta de um jornalista da rádio Jovem Pan e falou que analisa três nomes no momento.

"Eu costumo dizer que eu tenho três nomes, que eu não vou revelar, que eu namoro para indicar para o Supremo Tribunal Federal. Um vai ser evangélico, é um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica. Pessoal critica, não tem nada a ver. Se é católico, cristão, evangélico, candomblecista, ateu, não interessa. Tem que ter conhecimento e desenvolver seu papel lá, mas uma pitada de religiosidade, de cristianismo, no meu entender, é muito bem-vinda", afirmou.

Perguntado sobre a eventual indicação do atual procurador-geral da República, Augusto Aras, o presidente disse que esse nome não está previsto para as próximas duas vagas, mas que é um "forte" candidato para uma eventual terceira vaga, que não está prevista nos próximos três anos.

"O senhor Augusto Aras, nessas duas vagas, não está previsto o nome dele. (...) Se aparecer uma terceira vaga, eu espero que ninguém ali [no STF] desapareça, o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga aí", disse.

A próxima vaga será aberta com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello, no final deste ano. Já em 2021, será a vez da aposentadoria do ministro Marco Aurélio. Pela Constituição Federal, cabe ao presidente da República indicar o nome quando há uma vaga aberta para o STF. Em seguida, a indicação precisa ser analisada e aprovada pelo Senado Federal.

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 De motor a vilão: consumo das famílias puxa PIB para baixo

29/05/2020
Paula Salati e Luiz Guilherme Gerbelli
G1

Os estragos provocados crise desencadeada pelo coronavírus no orçamento dos brasileiro serão intensos e prolongados. Já no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE, o consumo das famílias teve queda de 2% - a mais intensa desde 2001 -, afetado pela combinação de crescimento do desemprego, aumento do endividamento e incerteza provocada por novas ondas de contaminação da doença.

A piora no cenário para as famílias brasileira marca uma importante inversão na dinâmica de crescimento do país. Nos últimos anos, mesmo com o tímido do avanço do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo das famílias foi o que mais contribuiu para puxar a atividade econômica. Em 2020, o que se espera, no entanto, é que o consumo empurre a economia ainda mais para baixo.

As famílias devem deixar de gastar R$ 225,1 bilhões neste ano na comparação com 2019, segundo cálculos realizados pela consultoria Tendências. E a perda de fôlego deve ser ainda mais intensa porque os números devem ser revisados, dado que o ritmo da atividade caminha para ser ainda mais fraco do que o esperado.

Antes da divulgação do desempenho da economia no primeiro trimestre, a consultoria esperava uma queda do PIB de 4,1% e uma retração do consumo de 4,8% neste ano.

"Hoje, sem a revisão, o consumo já cai quase 5%. Dado que o peso dele é de quase 65% no PIB, é o que mais contribui para a queda da atividade neste ano", diz a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

Os dados do mercado de trabalho já indicam quão grave deve ser a crise provocada pelo coronavírus para o orçamento das famílias. Entre março e abril, o país viu a destruição de 1,1 milhão de empregos formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

"A expectativa é de uma elevação acentuada do desemprego, de um quadro bastante severo. A grande questão que fica é como será a recuperação em 2021", afirma o economista do banco Santander Lucas Nóbrega. No pior momento da crise, a taxa de desocupação no país deve chegar a 20% entre maio e junho, segundo projeção do banco.

Rendimentos em queda livre
O aumento do desemprego terá um impacto expressivo na renda da população brasileira. Nem mesmo as medidas de compensação do governo federal, como o auxílio emergencial aos informais, vão conseguir compensar integralmente o impacto na renda.

A massa salarial ampliada deve cair 10,4% neste ano, em termos reais (descontada a inflação), nas projeções do Ibre. Se as políticas de socorro não tivessem saído do papel, essa queda chegaria a 15,2%. A massa salarial ampliada leva em conta não somente os rendimentos do trabalho, como também os benefícios sociais e previdenciários.

Comprometimento da renda em alta
Além do desemprego e queda na renda, o endividamento das famílias aumentou com a crise. Nos cálculos da Tendências, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas, que estava em torno de 22% antes da pandemia, terá picos de alta nos meses de abril (23,2%), maio (23,6%) e junho (23,1%), podendo recuar gradualmente para a faixa de 22% a partir de julho.

"O crescimento do comprometimento da renda com dívidas se dá pela piora das condições de crédito no segundo trimestre. Ainda que a Selic esteja baixa, os bancos estão elevando os juros e reduzindo os prazos por conta do risco maior", explica Alessandra.

Ainda que a projeção da consultoria seja de redução do comprometimento, a economista não descarta que este fique em torno dos 23% nos próximos meses, dado o cenário negativo para o mercado de trabalho.

Os números apresentados por Alessandra levam em conta os critérios da própria consultoria. As projeções para os dados de comprometimento da renda calculados pelo Banco Central (BC), para os meses de abril (20,8%), maio (21,2%) e junho (20,6%) são diferentes, pois a Tendências inclui em sua conta as dívidas com cartão de crédito sem juros.

Já o endividamento das famílias atinge, em maio, 42,2% da renda e deve recuar para 41,9% em dezembro de 2020, diante de uma postura mais restritiva dos bancos e com as famílias mais receosas em tomarem crédito. Para a Tendências, as concessões de crédito para a pessoa física devem cair 5% este ano, em termos reais.

Incerteza dificulta retomada
Há ainda um fator de bastante incerteza que se dá em como os consumidores devem se comportar sem uma cura ou vacina para o coronavírus. O que pode ocorrer é o que os consumidores podem fazer o que os economistas chamam de poupança precaucional - ou seja, guardar uma parte dos recursos para enfrentar um eventual novo período de dificuldade econômica provocada pelo vírus.

Em várias cidades e estados do país, já existem tentativas de reabrir parte da economia, apesar dos índices de contaminação e mortos pelo coronavírus ainda estarem elevados. "Mesmo que a gente não esteja mais nesse ambiente de fechamento parcial da economia, só o fato dessa insegurança deve fazer com que a gente tenha uma recuperação mais lenta", diz Arruda.

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 Com pandemia, PIB do Brasil encolhe 1,5% no 1º trimestre e regride ao patamar de 2012

29/05/2020
Darlan Alvarenga e Daniel Silveira
G1

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 1,5% no 1º trimestre, na comparação com os 3 últimos meses de 2019, segundo divulgou nesta sexta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reflete apenas os primeiros impactos da pandemia de coronavírus e coloca o país à beira de uma nova recessão, uma vez que a expectativa é de um tombo ainda maior no 2º trimestre.

A retração nos 3 primeiros meses de 2020 veio dentro do esperado pelo mercado e interrompe uma trajetória de 3 anos de lenta recuperação da economia brasileira, que já mostrava perda de ritmo na virada do ano, e ainda se encontrava distante do patamar anterior ao do início da recessão de 2014-2016.

A queda no 1º trimestre foi o primeiro resultado negativo para o PIB desde o final de 2018, uma vez que o IBGE revisou os dados do 4º trimestre de 2018 para um recuo de 0,1%, ante leitura anterior de estabilidade.

Na comparação com o 1º trimestre de 2019, a queda foi de 0,3%. No acumulado em 12 meses, registrou aumento de 0,9%, comparado aos trimestres imediatamente anteriores. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,803 trilhão no período entre janeiro e março.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Após despencar 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016, a economia brasileira registrou taxa de crescimento de 1,3% em 2017 e em 2018, desacelerando para um ritmo de 1,1% em 2019. Agora, com o choque provocado pela pandemia, a retomada deverá demorar mais para ser alcançada.

O IBGE revisou os dados do PIB de 2019. No primeiro trimestre, cresceu 0,2%, ao invés do resultado nulo divulgado anteriormente. No 2º trimestre, a alta foi mantida em 0,5%. Já nos dois últimos trimestres a revisão foi para baixo: no 3º trimestre, a alta foi de 0,5%, e não 0,6%, e a do 4º trimestre foi de 0,4%, ante 0,5% da divulgação anterior.

O que mais pesou na queda do PIB
De acordo o IBGE, a retração da economia neste começo de 2020 foi causada, principalmente, pelo recuo de 1,6% nos serviços, setor que representa 74% do PIB. Foi a maior retração do setor desde o 4º trimestre de 2008 (-2,3%).

A indústria também caiu (-1,4%), enquanto a agropecuária cresceu (0,6%), impulsionada pela safra da soja que tem, inclusive, perspectiva de recorde para esse ano.

Consumo das famílias tem maior queda desde 2001
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias desabou 2%, interrompendo uma sequência de 12 trimestres seguidos de alta.

“Foi o maior recuo desde a crise de energia elétrica em 2001”, destacou a pesquisadora do IBGE, acrescentando que o consumo das famílias pesa 65% do PIB.

O poder de compra das famílias foi afetado neste começo de ano pela combinação de crescimento do desemprego, queda da renda, aumento do endividamento e incerteza provocada por novas ondas de contaminação da doença.

Investimentos revertem queda do trimestre anterior
Por outro lado, os investimentos tiveram alta de 3,1% no 1º trimestre, revertendo assim a queda registrada no trimestre anterior (-2,7%), puxados pela importação líquida de máquinas e equipamentos pelo setor de petróleo e gás. Já o consumo do governo teve variação de 0,2%, o que segundo o IBGE mostra um cenário de estabilidade.

A taxa de investimento foi de 15,8% do PIB, acima do observado no mesmo período de 2019 (15%), mas ainda bem abaixo do patamar acima de 21% registrado em 2013. Já a taxa de poupança foi de 14,1% no primeiro trimestre de 2020, ante 12,2% no mesmo período de 2019.

No setor exterior, as exportações de bens e serviços tiveram contração de 0,9%, enquanto as importações cresceram 2,8% em relação ao quarto trimestre de 2019.

"As exportações foram bastante prejudicadas pela demanda internacional. Um dos países muito importantes para a gente que tem afetado nossas exportações é a Argentina. E a China também, que no primeiro trimestre foi o primeiro país a fechar as fronteiras. Então as nossas exportações foram bastante afetadas”, avaliou Rebeca, acrescentando que a cadeia de produção brasileira começou a ser afetada já em fevereiro.

Já a importação teve como principais destaques a aquisição de máquinas e equipamentos, sobretudo para o setor de petróleo e gás, e de metalurgia.

Com a redução do saldo externo de bens e serviços, a necessidade de financiamento da economia brasileira cresceu para R$ 58,3 bilhões ante R$ 57,5 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Perspectivas sombrias para 2020
Como o resultado do PIB do 1º trimestre refletiu apenas as primeiras semanas de isolamento social e das medidas de restrições para conter o avanço da Covid-19, que começaram em meados de março, a expectativa é de uma retração ainda mais profunda da economia entre os meses de abril e junho, uma vez que indicadores já divulgados mostraram abalos ainda mais profundos, tanto na produção e no consumo como no mercado de trabalho e na renda.

Questionada sobre as perspectivas para retomada do crescimento, Rebeca disse que é preciso aguardar para saber como as atividades vão se comportar nos próximos meses. Ressaltou, porém, a importância da retomada do mercado de trabalho para aquecer a economia como um todo, sugerindo que não há sinais de retomada do setor. “O mercado de trabalho, em geral, não costuma se recuperar tão rápido”, observou.

O mercado passou a projetar um tombo de 5,89% para o PIB neste ano, segundo o relatório "Focus" do Banco Central, e a maior parte dos analistas dá como certa a entrada no país em uma nova recessão, definida tecnicamente por 2 trimestres seguidos de retração da atividade. Caso a expectativa se confirme, será o pior desempenho anual desde 1901, pelo menos.

Para o Banco Fator, por exemplo, há risco inclusive da recessão se estender até 2021. "O risco de o cenário da pandemia ser pior do que se espera é elevado. Desde logo, é difícil que o afastamento seja completamente eliminado no terceiro trimestre. Assim como não se pode esperar que não haja idas e vindas no afastamento, ainda que sem uma segunda onda", avaliou o economista José Francisco de Lima Gonçalves

Nesta semana, o Brasil se tornou o novo epicentro mundial da Covid. Já são mais de 26 mil mortos e quase 442 mil casos confirmados. O Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de casos confirmados da doença, atrás dos Estados Unidos.

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  Pandemia do coronavírus derrubou PIB do 1º trimestre; veja atividades mais afetadas em cada setor

29/05/2020
Darlan Alvarenga e Raphael Martins
G1

As medidas de isolamento social e os impactos da pandemia de coronavírus na atividade econômica derrubaram o Produto Interno Bruto brasileiro já no 1º trimestre deste ano. Com exceção do agronegócio, todos os grandes setores do PIB pelo lado da oferta tiveram retração nos 3 primeiros meses do ano, segundo mostrou nesta sexta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As quedas mais acentuadas ou com maior impacto no resultado do PIB nos 3 primeiros meses do ano foram registradas na prestação de serviços e indústria extrativa. Já o consumo das famílias acusou o impacto pelo lado da demanda.

Algumas atividades, no entanto, foram mais abaladas que outras neste começo de ano, e a perspectiva é de uma retração ainda maior da economia brasileira entre abril e junho.

Para a pesquisadora Luana Miranda, do Ibre/FGV, mesmo em um cenário de reabertura da economia a partir do 2º semestre, os impactos da pandemia deverão se estender para além de 2020.

Serviços prestados às famílias desabam
Dentro do setor de serviços, que possui peso de cerca de 70% no PIB do Brasil e que mostrou queda de 1,6% no primeiro trimestre, o um dos segmentos mais afetados pela pandemia foi o que abrange os serviços prestados às famílias, que inclui alimentação fora de casa, hospedagem, salões de beleza, academias e reparos. Somente em março, a queda no volume foi de 31,2%, na comparação com fevereiro, segundo mostrou pesquisa setorial do IBGE.

Outros segmentos fortemente abalados pela quarentena e menor circulação de pessoas foram os ligados a lazer, eventos e turismo.

A demanda por voos domésticos, por exemplo, desabou 32,9% em março, em relação ao mesmo mês de 2019. Já o índice de atividades turísticas tombou 30% em março. Segundo o IBGE, foi a maior retração da série histórica, iniciada em janeiro de 2011.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que 20% dos bares e restaurantes do país já fecharam as portas em definitivo no país desde o começo da pandemia. Pesquisa da entidade divulgada na semana passada mostrou que 67,2% dos empresários pretendem retomar as atividades com operação reduzida mesmo quando forem autorizados pelo governo a reabrirem os estabelecimentos.

No comércio, só mercados e farmácias não sofrem abalo
As vendas do comércio entram no resultado do PIB do setor de serviços, e estão entre as atividades econômicas mais afetadas pelas restrições de funcionamento impostas pelas autoridades para tentar conter a propagação do coronavírus. No primeiro trimestre deste ano, os serviços mostraram queda de 1,6%, segundo os dados do PIB divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE.

Em março, com boa parte das lojas fechadas ou funcionando apenas no sistema delivery, as maiores retrações ocorreram nas vendas de tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), veículos (-36,4%), livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%) e móveis e eletrodomésticos (-25,9%), segundo dados da pesquisa mensal do IBGE, "A queda no comércio foi parcialmente suavizada devido ao aumento das vendas nos supermercados e farmácias no mês de março", destaca Luana Miranda.

Em março, os segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas (14,6%) e de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,3%) foram os únicos a registrar aumento de vendas no país.

Pelos cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o faturamento do comércio brasileiro encolheu 39% em relação ao período anterior à pandemia e, dependendo da evolução da crise, poderá cortar até 2,2 milhões de vagas de trabalho.

Indústria em dificuldades
Na indústria, a retração de 1,4% no 1º trimestre foi impulsionada especialmente pelas fortes quedas nas indústrias extrativas (-3,2%), mas também pela construção civil (-2,4%) e indústrias de transformação (-1,4%).

Já como efeito da pandemia do novo coronavírus, a produção industrial fechou março deste ano com queda 9,1% em relação a fevereiro. Foi o pior março desde 2002, segundo o IBGE. Das 26 atividades industriais, 23 sofreram queda.

Se os números surpreenderam negativamente, o tamanho do impacto à frente é mais assustador. A pesquisa Impacto da Covid-19 na Indústria, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 76% das empresas reduziram ou paralisaram sua produção. Quase 60% dos empresários relatam dificuldades para pagamentos correntes e 55% reclamam do acesso a capital de giro.

Resultado das dificuldades aparece na última sondagem da CNI para o Índice de Confiança do Empresário Industrial. Na escala de 0 a 100, a sondagem marca 34,7 pontos no mês de maio.

A mínima foi registrada em abril, com 34,5 pontos. Qualquer resultado abaixo de 50 é considerado negativo. A situação é mais grave entre empresários do setor de calçados (26,6 pontos), vestuário (28,8 pontos), impressão e reprodução (29,2 pontos) e veículos automotores (29,6 pontos).

De acordo com a entidade, a segunda quinzena de março e abril registraram queda de vendas de veículos da ordem de 80%. A produção não chegou a 2 mil veículos no mês passado e os estoques eram de 237,3 mil unidades, suficiente para quatro meses de venda no ritmo atual.

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) diz que os lançamentos imobiliários caíram 14% no 1º trimestre e 79% das construtoras afirmam que pretendem adiar os lançamentos em razão da pandemia.

"A construção civil deve se recuperar muito lentamente, seja pelo lado do setor imobiliário, seja pelo lado dos investimentos, diante das incertezas magnificadas pelo ambiente político", avalia a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

Agronegócio em seu oásis
Diferente dos demais setores, a expectativa do agronegócio era de alta neste primeiro trimestre de 2020 - e ele de fato registrou crescimento, de 0,6%. O Sistema de Expectativas Focus, do Banco Central, dava conta de um aumento de 3% no PIB do Agronegócio para o período.

Os resultados foram garantidos pela atividade agropecuária básica, não pela a agroindústria. A demanda da produção agrícola teve consistência porque o consumo de bens essenciais foi pouco impactado pela pandemia do novo coronavírus. Com a safra plantada e boas condições climáticas, veio resultado mesmo com a contração de renda do brasileiro.

"Agora, é se preparar para a próxima safra com preço formado no exterior e voltado para exportação, que dará fôlego de caixa por conta de câmbio elevado", afirma. "Com boas notícias, dá para segurar o acumulado do ano."

O desafio do setor é não se deixar impactar pela queda da indústria que depende dos insumos do agronegócio, com a produção de bebidas e produtos não-alimentícios, como têxtil, biocombustíveis, papel e celulose, fumo, borracha e tantos outros.

Outra ameaça, mais ligada à pandemia, é a interdição da cadeia de produção animal, em uma situação próxima ao que se observa nos Estados Unidos. Por lá, frigoríficos foram fechados pela alta contaminação de trabalhadores pela Covid-19, causando desabastecimento. O Sul do Brasil e Mato Grosso registraram os primeiros problemas, mas ainda sem perigo de uma crise de oferta.

"A produção de carnes, se não houver um episódio parecido com o dos Estados Unidos e se der destaque para exportação, pode se beneficiar de um preço mais competitivo", diz Serigatti. "O mesmo vale para insumos agrícolas, que competem melhor com os importados em tempos de dólar alto."

O Ipea avalia que o PIB do setor agropecuário brasileiro deve fechar o ano com crescimento de 2,5%, sustentado pela perspectiva de safra recorde e aumento das exportações de carnes. No cenário de maior estresse, considerando os riscos de um maior impacto da Covid-19 sobre a demanda por produtos agropecuários, o Ipea projeta uma alta de 1,3% no PIB do setor.

Renda menor e desemprego derrubam consumo das famílias
Do lado da demanda, a forte da retração da economia no 1º trimestre é explicada principalmente pelo freio no consumo das famílias, que encolheu 2%, com os consumidores gastando menos ou consumindo apenas o essencial, quer seja por queda da renda ou por medo do desemprego e da recessão que se anuncia.

Levantamento feito pelo Ibre/FGV mostrou que a pandemia já afetou o trabalho e renda de 53,5% das famílias brasileiras. Segundo o estudo, quase metade (43,9%) teve algum membro da família impedido de trabalhar em virtude do isolamento social. Outros 24,9% presenciaram redução jornada e salário, 14,7% informaram que pelo menos um integrante teve o contrato de trabalho suspenso, e 12,7% citaram que uma pessoa do núcleo familiar foi demitida.

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,2% no 1º trimestre, atingindo 12,9 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Em 3 meses, o número de pessoas na fila por um emprego aumentou em 1,2 milhão, sem contar aquelas que simplesmente saíram da força de trabalho e deixaram de procurar emprego em razão das restrições impostas pela pandemia.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na última quarta-feira (27), ajudam a dar a dimensão do derretimento do mercado de trabalho. A economia brasileira fechou 1,1 milhão de vagas de trabalho com carteira assinada entre março e abril – 860,5 mil só no último mês.

O Ibre/FGV projeta que o Brasil deverá encerrar este ano com uma taxa média de desemprego de 18,7%.

Investimentos adiados e saída de recursos do país
A demanda mais fraca, aumento da capacidade ociosa e cenário político mais turbulento também já afeta o ímpeto por investimentos no país.

Ainda que os investimentos tenham registrado avanço no 1º trimestre, de 3,1%, os analistas destacam que o resultado sequer compensou o tombo de 3,3% registrado no 4º trimestre, quando a economia brasileira já começou a dar sinais de perda de dinamismo.

Dados divulgados nesta semana pelo Banco Central mostram que, de janeiro a abril, os investidores retiraram US$ 31,4 bilhões do Brasil. O resultado representa uma forte reversão em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, quando houve ingresso de US$ 9,96 bilhões na economia brasileira. Os valores retirados do país englobam aplicações em ações, em fundos de investimentos e em títulos da renda fixa.

"Agora, há uma preocupação extra com o impacto da política nas relações exteriores. Vai ter um custo bastante grande recuperar imagem do país, seja na questão de saúde, na ambiental, ou na questão comercial", afirma. "Para o futuro, é preciso restabelecer uma agenda de reformas estruturais para dar confiança e reconstruir a questão diplomática."

 

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  Em dia de tombo do PIB, Guedes pede 'solidariedade' para retomada rápida da economia

29/05/2020
Alexandro Martello
G1

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu nesta sexta-feira (29) compreensão e solidariedade para que a retomada da economia, após a crise do coronavírus, seja mais rápida no país.

Guedes fez a declaração pouco depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 1,5% no 1º trimestre, na comparação com os três últimos meses de 2019.

O resultado reflete apenas os primeiros impactos da pandemia do novo coronavírus, e coloca o país à beira de uma nova recessão, uma vez que a expectativa é de um tombo ainda maior no 2º trimestre.

“Precisamos de cooperação, colaboração, compreensão, solidariedade", disse o ministro durante um seminário virtual.

Se referindo aos recentes conflitos do presidente Jair Bolsonaro com outros poderes, como o Judiciário, Guedes apontou que disputas são "naturais" nesse período, mas defendeu trégua neste momento de crise senão "o barco naufraga."

"É natural que nessa ansiedade, cada um ao seu estilo, um pisa no pé do outro. E quem foi pisado vai empurrar de volta. Agora, acabou. Um deu o empurrão, tomou o empurrão de volta. Todo mundo remando para chegar na margem. Quando chegar na margem, começa a briga de novo. Pode brigar à vontade na margem. Se brigar a bordo do barco, o barco naufraga”, disse.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro se envolveu em conflito com diversas autoridades e instituições do país. O presidente, por exemplo, criticou governadores por adotarem, seguindo recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), medidas de isolamento e restrição para evitar o avanço rápido da covid-19. Bolsonaro defende a retomada de todas as atividades para evitar impactos negativos na economia e no emprego.

Mais recentemente, o presidente fez duras críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a decisões que o contrariaram, como a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, apontada pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro como prova da tentativa de Bolsonaro de interferir na Polícia Federal; e a ação de busca e apreensão, dentro do inquérito que apura ataques ao Supremo e divulgação de informações falsas na internet, que atingiu aliados do presidente e defensores do seu governo.

Reação em "V", em "U" ou em "L"
De acordo com o ministro, "depende de nós mesmos" determinar como será a reação da economia no pós-pandemia.

Guedes apontou que há três opções: a chamada retomada em forma de "V", que seria a mais rápida; a retomada em forma de "U", um pouco mais lenta; ou então a economia pode se comportar como na forma da letra "L" que, segundo o ministro, significa "cair e virar depressão.

“Só depende de nós. Só depende de nós. Pela terceira vez, só depende de nós", disse o ministro. "Prefiro ainda trabalhar com o 'V', pode ser um 'V' meio torto, caiu rápido e vai subir um pouco mais devagar, mas ainda é um 'V'”, declarou.

Guedes acrescentou que, em sua visão, é preciso aperfeiçoar as instituições democráticas neste momento e disse ser "cretino" quem ataca o governo ao invés de ajudar nesse momento de crise.

“Se, em vez disso, nos jogarmos uns contra os outros, atrapalharmos uns o trabalho dos outros, incriminarmos uns aos outros em vez de entender que isso veio de fora, o vírus veio de fora e está atacando o mundo inteiro. É cretino você atacar o governo do próprio país em vez de ajudar em um momento desse”, afirmou.

Sobre o debate em torno da priorização da saúde, ou da economia, o ministro afirmou que é “natural” alguém achar que um aspecto é mais importante, mas avaliou que os dois são complementares.

“Alguém acha que a asa esquerda é mais importante, outro acha que é a asa direita. O pássaro não voa sem as duas asas. As pessoas não vão conseguir tocar uma economia preocupados com a saúde. As pessoas não vão conseguir salvar a saúde se também destruírem a economia. O pássaro, para voar, precisa das duas asas: da saúde e da economia”, disse.

Retorno ao trabalho
Na visão do ministro da Economia, está na hora de lançar o “sinal” de protocolos para um retorno seguro ao trabalho, que será feito “de forma segmentada, por unidades geográficas”, quando a questão de saúde permitir.

“No caso de indústrias que souberam se proteger, a construção civil está funcionando em 93% da capacidade produtiva, com 55 mil pessoas trabalhando nas obras e 10 mortes. Trágicas, porque cada morte é um universo que se extingue (...) Mas o fato é que, se 55 mil pessoas estão na construção civil e 10 vidas se apagaram, estão fazendo alguma coisa certa no protocolo de trabalho”, declarou.

De acordo com ele, esse retorno ao trabalho, de forma responsável, pode preservar vidas.

“Estão possivelmente até protegendo mais vidas do que está acontecendo em comunidades pobres, onde há o isolamento, distanciamento, mas 8, 9, 10 pessoas em uma casa só. Um sai para fazer uma coisa, outro sai para fazer outra, e no final podem até se contaminar com mais velocidade do que o trabalhador que está indo para um lugar que está tomando conta da saúde. É testado, monitorado, e tratado, só depois volta. Ele pode estar sendo bem tratado”, disse.



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