DIA 18 DE OUTUBRO DE 2018

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Dia é de definições para os candidatos à Presidência da República

2. Médicos examinam Bolsonaro, mas permanece expectativa sobre debates

3. Com juristas, Haddad chama campanha anti-PT de “tentativa de fraude"

4. PT quer investigação da campanha de Bolsonaro por práticas ilícitas no uso de redes sociais

5. PDT prepara ação para pedir nulidade das eleições após denúncia de uso irregular do WhatsApp

6. Haddad diz ter testemunhas de que Bolsonaro pediu financiamento a empresários para mensagens no WhatsApp

7. WhatsApp esvaziou debate na campanha eleitoral deste ano

8. Bolsonaro pede que eleitores "jamais confiem em pesquisas" e não relaxem

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Dia é de definições para os candidatos à Presidência da República 

18/10/2018
Agência Brasil

O dia hoje (18) deve ser de definições para os dois candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). É esperada para a tarde a avaliação de uma junta médica sobre o estado de saúde de Bolsonaro. A partir desses exames, o candidato do PSL disse que decidirá sobre sua participação em debates e viagens para fora do Rio de Janeiro.

Depois do ataque que sofreu em 6 de setembro, quando levou uma facada na barriga, Bolsonaro está com uma colostomia, o que exige cuidados e mais atenção em situações de aglomeração de pessoas e eventual tumulto. Nos últimos dias, o candidato indicou que pode participar de dois debates até o segundo turno das eleições.

Haddad tem cobrado a participação do adversário nos debates. Segundo ele, quer “olhar olho no olho” de Bolsonaro. A junta médica deve ir ao Rio, na casa do candidato do PSL, como fez na semana passada. São médicos que o acompanharam no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O candidato do PT tem encontro, em São Paulo, com o grupo denominado Juristas pela Democracia, que reúne magistrados que apoiam seu nome neste segundo turno. Ao longo do dia, ele ainda tem conversas com grupos de defesa dos animais e concede entrevistas exclusivas para emissoras de rádio e televisão.

Haddad deve ir amanhã (19) ao Rio e no fim de semana ao Nordeste. Os locais do Nordeste ainda vão ser definidos, mas ele deve escolher o Piauí, a Bahia e o Maranhão, onde os governadores são aliados do PT.

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 Médicos examinam Bolsonaro, mas permanece expectativa sobre debates 

18/10/2018
Akemi Nitahara
Agência Brasil

O candidato pelo PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, passou por uma avaliação médica na manhã de hoje (18), com a equipe do Hospital Albert Einstein, que durou pouco mais de um hora e meia. A assessoria do candidato divulgou uma nota informando que Bolsonaro apresentou evolução clínica e nutricional, mas não deixa claro se ele pode voltar às atividades normais.

A expectativa é que a partir da avaliação Bolsonaro defina sua participação em pelo menos dois debates com o adversário Fernando Handdad, do PT, e eventuais viagens fora do Rio de Janeiro. Nos últimos dias, o candidato do PSL disse que aguardava a avaliação médica para tomar decisões.

Na nota, a assessoria de Bolsonaro informa que ele passou hoje por exames de imagem e de laboratório e que “apresenta boa evolução clínica e a avaliação nutricional evidenciou melhora da composição corpórea, mas ainda exigindo suporte nutricional e fisioterapia”.

Em outra nota, divulgada no início da tarde, a equipe médica informa que "o candidato à Presidência Jair Bolsonaro foi submetido hoje a avaliação médica multiprofissional, de exames de imagem e laboratoriais, que se mostraram estáveis. Apresenta boa evolução clínica e a avaliação nutricional evidenciou melhora da composição corpórea, mas ainda exigindo suporte nutricional e fisioterapia. Ainda permanece como fator limitante relativo a presença da colostomia."

Expectativas
A avaliação foi feita por Antônio Luiz Macedo, cirurgião que operou o candidato em São Paulo no dia 12 de setembro, e Leandro Echenique, cardiologista da equipe, na casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Os médicos que realizaram o exame não falaram com a imprensa.

Os médicos chegaram por volta das 9h45 e deixaram o local às 11h20. Na semana passada, os médicos afirmaram que o quadro de saúde do candidato está evoluindo bem e que, provavelmente, ele seria liberado para todas as atividades de campanha hoje (18).

A cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia está prevista para ser feita a partir do dia 12 de dezembro e requer duas semanas de recuperação.

Por volta das 10h30, Bolsonaro recebeu a visita do candidato ao governo de Roraima Antônio Denarium (PSL). Na saída, ele disse que a conversa girou em torno do ingresso de imigrantes venezuelano no Brasil, uma vez que grande parte entra por Roraima, gerando controvérsias entre as autoridades locais e as federais.

* Matéria alterada às 12h42 para acrescentar no quarto parágrafo nova nota sobre os exames do candidato Jair Bolsonaro.

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 Com juristas, Haddad chama campanha anti-PT de “tentativa de fraude"

18/10/2018
Daniel Mello
Agência Brasil

Na presença de vários juristas, como Paulo Sérgio Pinheiro, Cláudio Mariz de Oliveira, Dora Cavalcanti, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e José Carlos Dias que lançaram hoje (18) uma moção de apoio com mais de 1,5 mil assinaturas, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, chamou hoje (18) de “tentativa de fraude eleitoral” as denúncias publicadas sobre a suposta existência de um grupo de empresários que financia o envio em massa de mensagens falsas via WhatsApp.

A denúncia é a manchete da Folha de S. Paulo desta quinta-feira. “O que está hoje nos jornais não são indícios de que houve crime, são provas”, afirmou o candidato. “Não é um problema moral [apenas], é crime. É penal.” O candidato do PT disse que vai apresentar denúncias à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral para que sejam tomadas as providências.

Ao discursar para os juristas, Haddad detalhou as informações publicadas na imprensa. “Por meio de caixa 2, eles resolveram financiar uma campanha de difamação, de inverdades. Todas as mensagens do WhatsApp foram direcionadas a minha pessoa, com inverdades a meu respeito e a minha família. Eu acho extremamente grave. Eu nunca tinha visto isso acontecer nas campanhas eleitorais.”

Nas redes sociais, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, não se manifestou sobre as informações publicadas hoje na impresa.

Denúncias
A reportagem publicada hoje informa que empresas estão contratando o serviço de disparo de mensagens por aplicativo de celular com contratos que podem chegar a R$ 12 milhões. O serviço, segundo o jornal, se vale da utilização de números no exterior para enviar centenas de milhões de mensagens, burlando as restrições que o WhatsApp impõe a usuários brasileiros.

As atividades envolvem o uso de cadastros vendidos de forma irregular. A legislação eleitoral só permite o uso de listas elaboradas voluntariamente pelas próprias campanhas. O financiamento empresarial de campanha também é proibido.

Para Haddad, a difusão de mensagens falsas seria a responsável pelo crescimento das intenções de voto a favor de Jair Bolsonaro (PSL). “Eu temo que a Justiça Eleitoral, inibida pela violência, que a imprensa, inibida pela violência, não cumpra as suas funções constitucionais”, disse.

Social
Em entrevista à Rádio Tupi do Rio de Janeiro, Haddad ressaltou que dará prioridade à saúde e educação. Segundo ele, o foco, uma vez eleito, será para a educação técnica em nível médio. “Cada escola federal terá de adotar as escolas estaduais de baixo desempenho e estabelecer um patamar mínimo [de desempenho].”

Para saúde, o candidato pretende criar policlínicas, com laboratórios e exames, inaugurando pelo menos 400 policlínicas em todo país, abrindo vagas nos leitos hospitalares para os casos mais graves.

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 PT quer investigação da campanha de Bolsonaro por práticas ilícitas no uso de redes sociais 

18/10/2018
Lisandra Paraguassu
Reuters

O PT entrou com um pedido para que a Polícia Federal investigue a suspeita de práticas ilícitas no uso de redes sociais por parte da campanha do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, incluindo denúncia de que empresas estariam pagando pelo envio de mensagens em defesa do candidato.

Na sua edição desta quinta-feira, o jornal Folha de S. Paulo revela que empresários têm bancado a compra de distribuição de mensagens contra o PT por Whatsapp, em uma prática que se chama pacote de disparos em massa de mensagens, e estariam preparando uma operação para a próxima semana, antes do segundo turno.

Segundo o jornal, cada pacote de disparos em massa custaria cerca de 12 milhões de reais, para o envio de centenas de milhões de mensagens. Ao menos quatro empresas podem ter usado essa prática, segundo o jornal.

A prática pode ser considerada doação de empresas por meio de serviços, o que é proibido pela legislação eleitoral, e não declarada, o que configura caixa 2.

Em entrevista à rádio Tupi nesta manhã, o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou que a campanha de Bolsonaro “criou uma verdadeira organização criminosa com empresários que, mediante caixa 2, dinheiro sujo, estão patrocinando mensagens mentirosas no Whatsapp”.

“Nós vamos pedir providências para a Justiça Eleitoral e para a Polícia Federal para que esses empresários corruptos sejam imediatamente presos para parar com essas mensagens de WhatsApp. Já tem nome de empresário, já tem nome de empresa, já tem contrato, o valor pago mediante caixa 2, o que é crime eleitoral”, disse Haddad.

“Nós vamos para a Justiça eleitoral impedir o deputado Bolsonaro de violentamente agredir a democracia como ele fez a vida inteira, nunca respeitou a democracia e não está respeitando nesse momento. Fazer conluio com dinheiro para violar a vontade popular é crime.”

No pedido feito à PF na quarta-feira, o PT solicita a investigação em relação à utilização deliberada de notícias sabidamente falsas (as fake news), doação não declarada de verbas do exterior, propaganda eleitoral paga na internet e, por fim, a utilização indevida do WhatsApp. O pedido, no entanto, foi feito antes da revelação da Folha de S. Paulo. Agora, de acordo com a campanha petista, deve incluir a reportagem.

“Os métodos criminosos do deputado Jair Bolsonaro são intoleráveis na democracia. As instituições brasileiras têm a obrigação de agir em defesa da lisura do processo eleitoral”, disse o partido, em nota, nesta quinta-feira. “O PT levará essas graves denúncias a todas as instâncias no Brasil e no mundo. Mais do que o resultado das eleições, o que está em jogo é a sobrevivência do processo democrático.”

De acordo com o advogado Guilherme Salles Gonçalves, especialista em Direito Eleitoral e membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, a prática revelada pelo jornal pode ser enquadrada como um caso clássico de caixa 2 eleitoral, com agravantes e poderia levar à cassação da chapa de Bolsonaro.

“É um caso clássico de caixa 2 duplamente qualificado. Primeiro é um caso de gasto a favor da candidatura vindo fora do orçamento da campanha. Depois, é feito por fonte vedada. A decisão do Supremo Tribunal Federal proibiu doação de empresa a partidos e candidatos em qualquer momento, sobretudo em campanha eleitoral”, explicou. “A punição não tem gradação. Ou caça ou não pune.”

Mesmo que as doações fossem feitas como pessoa física, o advogado explica ainda que a doação de serviços só pode ser realizada por algo que a própria pessoa possa oferecer -seus serviços ou de sua própria empresa. A compra de serviço de terceiros é vedada. Além disso, explica, mesmo que Bolsonaro alega desconhecimento dos fatos, a responsabilização é objetiva e mede a influência que a ação pode ter no resultado da eleição.

O advogado acrescenta ainda que o Whatsapp se enquadra nas regras de uso das redes sociais. Ou seja, eleitores não podem pagar por impulsionamento e nem fazer propaganda disfarçada de um candidato.

“Avaliando bem tecnicamente, de fato essa circunstância coloca em risco a eleição do candidato. É um caldo perfeito para gerar problema”, afirmou.

A campanha de Bolsonaro não se manifestou de imediato, mas um dos filhos do presidenciável disse em mensagem no Twitter que o jornal e o PT contam meias-verdades ou mentiras descontextualizadas. “Vão perder a boquinha que o partido mais corrupto do Brasil bancou ao longo de seu tempo no poder!”, escreveu o vereador Carlos Bolsonaro.

Bolsonaro lidera as intenções de votos para o segundo turno da disputa presidencial com 59 por cento dos votos válidos, de acordo com a mais recente pesquisa Ibope, enquanto Haddad aparece com 41 por cento.

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 PDT prepara ação para pedir nulidade das eleições após denúncia de uso irregular do WhatsApp

18/10/2018
Maria Carolina Marcello
Reuters

O PDT prepara uma ação para pedir à Justiça Eleitoral a nulidade das eleições deste ano após as denúncias de práticas ilícitas no uso de redes sociais por parte da campanha do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira o presidente nacional do partido, Carlos Lupi.

Segundo Lupi, cujo partido teve o candidato Ciro Gomes em terceiro lugar no primeiro turno da disputa pelo Palácio do Planalto, a equipe jurídica do PDT ainda estuda a forma e o conteúdo da peça a ser apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Estamos preparando uma ação. Ainda não está pronta, o jurídico está examinando o termo exato e por isso ainda não soltei”, disse o presidente do partido à Reuters.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira apontou práticas ilícitas no uso de redes sociais por parte da campanha do candidato do PSL à Presidência. O jornal afirma que empresários têm bancado a compra de distribuição de mensagens contra o PT e a favor de Bolsonaro por WhatsApp, em uma prática que se chama pacote de disparos em massa de mensagens, e estariam preparando uma operação para a próxima semana, antes do segundo turno.

Adversário de Bolsonaro no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, o candidato do PT, Fernando Haddad, acusou Bolsonaro de criar uma “verdadeira organização criminosa com empresários que, mediante caixa dois, dinheiro sujo, estão patrocinando mensagens mentirosas no WhatsApp”.

O PT entrou com um pedido para que a Polícia Federal investigue a utilização deliberada de notícias sabidamente falsas (as “fake news”), doação não declarada de verbas do exterior, propaganda eleitoral paga na internet e, por fim, a utilização indevida do WhatsApp.

A campanha de Bolsonaro não se manifestou de imediato sobre as denúncias, mas um dos filhos do presidenciável disse em mensagem no Twitter que o jornal e o PT contam meias-verdades ou mentiras descontextualizadas. “Vão perder a boquinha que o partido mais corrupto do Brasil bancou ao longo de seu tempo no poder!”, escreveu o vereador Carlos Bolsonaro.

Bolsonaro lidera as intenções de votos para o segundo turno da disputa presidencial com 59 por cento dos votos válidos, de acordo com a mais recente pesquisa Ibope, enquanto Haddad aparece com 41 por cento.

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 Haddad diz ter testemunhas de que Bolsonaro pediu financiamento a empresários para mensagens no WhatsApp 

18/10/2018
Eduardo Simões e Pedro Belo
Reuters

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira que sua campanha sabia que havia “dinheiro sujo” por trás da campanha de difamação que vem sofrendo e afirmou ter testemunhas de que seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), pediu financiamento e empresários para mensagens no WhatsApp.

Em entrevista coletiva, Haddad disse que pode haver centenas de milhões de reais despejados ilegalmente na campanha de Bolsonaro.

Na edição desta quinta-feira, o jornal Folha de S. Paulo revela que empresários têm bancado a compra de distribuição de mensagens contra o PT por Whatsapp, em uma prática que se chama pacote de disparos em massa de mensagens, e estariam preparando uma operação para a próxima semana, antes do segundo turno.

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  WhatsApp esvaziou debate na campanha eleitoral deste ano

18/10/2018
Gilberto Costa
Agência Brasil

Para especialistas, baixa leitura agrava riscos de desinformação.

As eleições presidenciais de 2018 inauguraram uma nova maneira de se fazer campanha no Brasil, conforme os especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão perdeu a atenção quase exclusiva dos eleitores, que também não seguem mais seus candidatos em carreatas ou passeios públicos - mas em espaços virtuais fidelizados como os perfis dos políticos nas redes sociais.

“É quase uma não campanha”, considera o cientista político Malco Camargos, professor da PUC Minas. “O elemento novo são as redes sociais”, assinala a diretora-executiva do Ibope, Marcia Cavallari. “É um fenômeno novo, ainda em teste”, opina Beatriz Martins, autora do livro Autoria em Rede: os novos processos autorais através das redes eletrônicas.

Com essas mudanças, o debate público ficou esvaziado. Em vez da discussão de propostas sobre geração de emprego, atendimento à saúde, qualidade do ensino, transporte ou segurança pública, eleitores usam seu tempo compartilhando memes com supostos atributos do seu candidato ou com defeitos do oponente.

“As mensagens correm em grupos fechados, dentro das bolhas. Esse ambiente não se caracteriza como espaço público. Não há oportunidade de contraditório”, descreve Beatriz Martins. Nem sempre os conteúdos repassados são comprovados.

Familiares, amigos e colegas de trabalho se tornaram cabos eleitorais engajados, compartilhando inúmeras mensagens por dia, por vezes falsas, como atesta avaliação de 347 grupos de WhatsApp feita pelos professores Pablo Ortellado (USP), Fabrício Benvenuto (UFMG) e a Agência Lupa de checagem de fatos. O estudo mostra que entre as imagens mais compartilhadas apenas 8% podem ser classificadas como verdadeiras.

Violência simbólica
Para Fábio Gouveia, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da UFES, “consolidou-se uma tendência que já estava em curso antes da eleição: violência simbólica, desconstrução de imagem e desinformação”.

O especialista avalia que a maneira como são usadas as novas mídias afeta a credibilidade dos meios tradicionais. “Há uma cruzada que põe em xeque a legitimidade da imprensa”. Segundo ele, é preocupante o comportamento social disseminado entre eleitores de dizer que “a mídia mente” quando confrontados com notícia apurada contra o seu candidato.

Gouveia alerta que a desqualificação constante do trabalho da imprensa e a dificuldade de perceber quando a notícia é falsa ou verdadeira são prejudiciais à democracia. “Independentemente de quem vença em 28 de outubro, esse estrago está feito”, registra.

Esvaziamento dos jornais e importância da TV
“É preciso ensinar as pessoas a lidarem com tanta informação. Saber o que é confiável e o que não é”, pondera Beatriz Martins. Ela, que é jornalista, aponta o “esvaziamento dos jornais” que “perderam peso” com a demissão de jornalistas e diminuição de redações.

Para o filósofo Nélio Silva, mestrando na UFScar, o baixo índice de leitura dos brasileiros é um problema que agrava a circulação de notícias falsas. Por causa disso, segundo ele, a televisão ainda é importante e debates entre os candidatos à Presidência poderiam fazer os eleitores conhecerem melhor as propostas de Jair Bolsonaro (PSL) e de Fernando Haddad (PT).

Para Marcia Cavallari, do Ibope, a televisão teve papel fundamental na campanha. Ela lembra que muitas imagens compartilhadas por WhatsApp, Facebook, Twitter ou Instagram foram replicadas de entrevistas e debates ocorridos nas emissoras de TV. “Uma coisa alimenta a outra”, avalia. O cientista político Malco Camargos concorda e lembra que a TV foi central na cobertura do atentado a faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, no mês de agosto.

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  Bolsonaro pede que eleitores "jamais confiem em pesquisas" e não relaxem

18/10/2018
Pedro Fonseca
Reuters

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, pediu nesta quinta-feira que os eleitores “jamais confiem” nos levantamentos e não relaxem na reta final da disputa contra Fernando Haddad (PT).

“Jamais confiem em pesquisas! Não relaxemos! Quando não falamos sobre as tais nos criticam e quando falamos fazem o mesmo. Tudo é motivo para tirarem do contexto e tentar induzi-lo para o que lhes interessa! Nossa pesquisa é o sentimento nas ruas! Grato a todos pela consideração!”, escreveu o candidato em mensagem no Twitter.

Bolsonaro lidera o segundo turno da disputa presidencial com 59 por cento dos votos válidos, de acordo com a mais recente pesquisa Ibope, enquanto Haddad aparece com 41 por cento.

Na quarta-feira, em entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que já está com uma “mão na faixa” presidencial porque Haddad não conseguirá reverter a desvantagem apontada pelas pesquisas até o dia da votação em segundo turno.

“Ele não vai tirar 18 milhões de votos de agora até daqui a dois domingos”, disse Bolsonaro a repórteres após visitar a Superintendência da Polícia Federal no centro da capital fluminense.

Além da publicação sobre as pesquisas eleitorais, Bolsonaro também escreveu mensagem no Twitter na manhã desta quinta-feira contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mentor político de Haddad.

“Brasil: Um povo esgotado de pagar impostos e não ter respostas, dilacerado pelos maiores escândalos de corrupção da história protagonizados pelo partido do líder que continua dando ordens de dentro da cadeia. Transborda no brasileiro o sentimento angustiante de mudança”, disse.

“Sempre dissemos que não existe salvador da pátria, mas graças a união do brasileiro temos a chance real de não virarmos a próxima Venezuela”.



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