DIA 17 DE ABRIL DE 2019

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Atividade econômica do Brasil tem em fevereiro maior contração em 9 meses, indica BC 

2. Economia teve em fevereiro maior recuo desde a greve dos caminhoneiros, diz prévia do BC

3. Bolsonaro pode ter interferido em Petrobras por preocupação com caminhoneiros, diz Guedes

4. Após Bolsonaro intervir na Petrobras, ministros discutirão política de preço de combustíveis 

5. Planalto minimiza impacto no mercado de interferência de Bolsonaro na Petrobras 

6. Bovespa opera em alta; ações da Petrobras sobem mais de 2%

7. CCJ se reúne hoje para debater parecer da Previdência

8. Há condições de votar Previdência na CCJ na próxima semana, mas é difícil prever prazos, diz Francischini

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Atividade econômica do Brasil tem em fevereiro maior contração em 9 meses, indica BC

15/04/2019
Camila Moreira
Reuters

O ritmo fraco da economia brasileira estendeu-se para fevereiro com a maior contração em nove meses, segundo dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira, ampliando as projeções de uma queda no primeiro trimestre e corroborando as preocupações com as perspectivas de crescimento do país.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve recuo de 0,73 por cento em fevereiro na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado divulgado pelo BC.

O resultado mensal foi o segundo negativo após recuo de 0,31 por cento em janeiro, em dado revisado pelo BC depois de divulgar contração de 0,41 por cento. E é também a pior leitura para o indicador desde a queda de 3,1 por cento vista em maio de 2018.

“Indicadores de atividade econômica conhecidos até o momento seguem sugerindo uma leve queda de 0,1 pro cento do PIB no primeiro trimestre deste ano”, afirmou o Bradesco em nota.

Na comparação com fevereiro de 2018, o IBC-Br apresentou crescimento de 2,49 por cento e, no acumulado em 12 meses, teve alta de 1,21 por cento, segundo números observados.

Em fevereiro, a produção industrial do Brasil mostrou alguma recuperação ao avançar 0,7 por cento sobre o mês anterior, devolvendo as perdas vistas em janeiro.

Entretanto, as vendas no varejo ficaram estáveis no mês, com as compras voltadas para o Carnaval compensando perdas em supermercados e combustíveis. E o volume de serviços recuou 0,4 por cento em fevereiro, na segunda queda seguida.

O cenário permanece sendo de lentidão da economia e mercado de trabalho fraco, com cerca de 13 milhões de desempregados no país, ainda que a inflação e taxa de juros baixas proporcionem alguma expectativa de melhora do consumo.

As expectativas de crescimento para o Brasil vêm sofrendo sucessivas reduções. A mais recente pesquisa Focus realizada semanalmente pelo BC junto a uma centena de economistas mostra que a expectativa para a atividade neste ano é de crescimento de 1,95 por cento, indo a 2,58 por cento em 2020.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a estimativa de expansão da economia brasileira em 2019 a 2,1 por cento, citando a necessidade de cortes de gastos com funcionalismo público e da reforma da Previdência para conter as crescentes despesas.

 

*********************

 Economia teve em fevereiro maior recuo desde a greve dos caminhoneiros, diz prévia do BC

15/04/2019
Alexandro Martello
G1


Prévia do PIB do Banco Central, IBC-Br registrou queda de 0,73% em fevereiro, maior recuo mensal desde maio de 2018, quando recuou 3,11% por conta da greve dos caminhoneiros.

Em fevereiro, o nível de atividade da economia brasileira registrou a maior retração desde maio de 2018, quando ocorreu a greve dos caminhoneiros, indicam números divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central.

O chamado Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) – considerado uma "prévia" do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) – registrou em fevereiro um recuo de 0,73%, na comparação com janeiro deste ano. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes).

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Nesta comparação, fevereiro registrou o maior recuo mensal dos últimos nove meses. Maio de 2018 foi marcado pelos efeitos da greve dos caminhoneiros, que resultou em um tombo da prévia do PIB de 3,11%.

No entanto, quando o Banco Central comparou fevereiro deste ano com o mesmo mês de 2018 identificou uma alta de 2,49% no indicador (indicador sem ajuste sazonal, pois considera períodos iguais).

No acumulado do primeiro bimestre deste ano, ainda de acordo com números do Banco Central, ocorreu uma expansão de 1,66% e, em 12 meses até fevereiro, houve uma alta de 1,21% na "prévia" do PIB.

Em 2018, o PIB teve uma expansão de 1,1%. O desempenho da economia brasileira no ano foi decepcionante diante das expectativas iniciais, repetindo o avanço registrado em 2017.

Para este ano, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de 1,95%, segundo pesquisa feita pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada.

PIB X IBC-Br
O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.

A metodologia de cálculo dos dois índices é um pouco diferente. O IBC-BR, por exemplo, incorpora estimativas para agropecuária, indústria e setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, teoricamente, haveria menos pressão inflacionária.

Definição dos juros básicos da economia
O IBC-Br também ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano, na mínima histórica, e a estimativa do mercado é de que permaneça neste patamar até o fim do ano.

Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2019, a meta central de inflação definida pelo Banco Central é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Considerado o índice de inflação oficial do país, o IPCA calculado pelo IBGE pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

 

 *********************

 Bolsonaro pode ter interferido em Petrobras por preocupação com caminhoneiros, diz Guedes

15/04/2019
Reuters

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no sábado que a interferência do presidente Jair Bolsonaro no reajuste do diesel pode ter sido motivada por preocupações com o efeito político da decisão, principalmente entre os caminhoneiros, categoria que quase parou o país em uma greve no ano passado.

Em Washington para uma série de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), Guedes negou ter falado com Bolsonaro sobre o assunto, mas reconheceu os impactos da atitude do presidente.

“O presidente já disse para vocês que ele não era um especialista em economia. Então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá”, disse o ministro a jornalistas.

“Ele ao mesmo tempo é preocupado com efeitos políticos, estavam falando em greve dos caminhoneiros, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, ponderou.

Guedes acrescentou ainda ter certeza que qualquer atitude que não seja “muito razoável” do presidente pode ser solucionada com conversa.

“Uma conversa conserta tudo.”

O ministro afirmou ainda estar focado nas reuniões em Washington com interlocutores do FMI e do Banco Mundial, além de presidentes de bancos centrais de outros países.

“Evidentemente que aparentemente já houve um efeito ruim lá fora, lá embaixo”, admitiu, ainda que tenha negado que o tema tenha sido abordado nas conversas em Washington.

“Então eu estou preferindo trabalhar nos fronts onde eu consigo construir alguma coisa”, afirmou.

Ao saber da decisão da Petrobras de reajustar o diesel em 5,7 por cento, na semana passada, Bolsonaro telefonou ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pedindo um reajuste menor, de apenas 1 por cento. Castello Branco optou por cancelar o aumento previsto.

 

*********************

 Após Bolsonaro intervir na Petrobras, ministros discutirão política de preço de combustíveis

15/04/2019
Guilherme Mazui
G1

Encontro desta segunda-feira servirá de preparação para reunião com o presidente na terça. Na semana passada, Bolsonaro mandou Petrobras suspender reajuste do diesel.

Após o presidente Jair Bolsonaro mandar a Petrobras suspender um reajuste no preço do óleo diesel, ministros discutirão na tarde desta segunda-feira (15), no Palácio do Planalto, a política de preço dos combustíveis.

Segundo a Casa Civil, o encontro está marcado para as 14h30, com os seguintes ministros:

Onyx Lorenzoni (Casa Civil)
Paulo Guedes (Economia)
Bento Albuquerque (Minas e Energia)
Santos Cruz (Secretaria de Governo)
Floriano Peixoto Vieira Neto (Secretaria-Geral da Presidência)
Também são aguardados na reunião representantes da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O encontro servirá como prévia para uma reunião marcada para terça-feira (16), entre Bolsonaro, ministros e Petrobras, para discutir os aspectos técnicos da decisão da estatal que levaria ao reajuste de 5,7% no preço do diesel nas refinarias.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, negou na sexta-feira (12) que a intervenção de Bolsonaro na Petrobras tenha sido "interferência política".

O reajuste foi anunciado na última quinta-feira (11). Bolsonaro, então, telefonou para o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e determinou a suspensão do aumento.

Com a decisão de Bolsonaro, as ações ordinárias da Petrobras caíram 8,54% na sexta-feira (12); as ações preferenciais caíram 7,75%. A Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado.

Bolsonaro afirmou que não defende práticas "intervencionistas" nos preços da estatal, mas pediu uma justificativa baseada em números, alegando que o aumento era superior à inflação projetada.

O governo lida na questão do diesel com o receio de uma nova greve dos caminhoneiros, impactados com a alta no prçeo do combustível. Em 2018, uma greve da categoria paralisou rodovias e interrompeu o transporte de alimentos, combustíveis e outros produtos no país.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que se reúne às 16h desta segunda com Bolsonaro, afirmou no sábado (13), que é possível "consertar tudo", se "eventualmente" Bolsonaro fizer "alguma coisa que não seja muito razoável" em relação à Petrobras.

 

*********************

 Planalto minimiza impacto no mercado de interferência de Bolsonaro na Petrobras

15/04/2019
Lisandra Paraguassu
Reuters

Apesar da perda de 32 bilhões de reais em valor de mercado sofrida nesta sexta-feira pela Petrobras na bolsa de valores, causada pela interferência do presidente Jair Bolsonaro que levou à suspensão do reajuste do diesel previsto para esta sexta, internamente o governo minimizou o impacto e a avaliação foi de que “segunda tudo se recupera”.

De acordo com uma fonte palaciana, apesar do susto com a queda das ações da estatal na bolsa, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, considerou que as oscilações são normais e que tudo estava “tranquilo”.

Mais tarde, o próprio porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, previu uma recuperação da empresa depois de terça-feira, quando Bolsonaro irá se reunir com ministros e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para “conhecer” a política de reajuste da empresa e, segundo o próprio presidente, ser “convencido” sobre a necessidade do reajuste.

“Nós vamos evoluir para retomarmos o voo de forma bastante sustentável a partir da próxima terça-feira, em decisões posteriores do governo”, disse o porta-voz ao ser questionado sobre a avaliação do governo sobre as perdas da Petrobras.

Onyx foi quem levou a Bolsonaro a informação sobre a decisão da Petrobras de reajustar o diesel em 5,7 por cento. Ao saber do aumento, de acordo com a fonte, Onyx demonstrou imediata preocupação com o impacto que teria frente ao risco de uma nova greve de caminhoneiros, e imediatamente foi ao gabinete conversar com o presidente. Pouco depois, Bolsonaro telefonou ao presidente da Petrobras pedindo um reajuste menor, de apenas 1 por cento.

Castello Branco optou por cancelar o aumento previsto.

A decisão, tomada por Bolsonaro e Onyx, foi feita sem conversas com a equipe econômica. Ao ser perguntado se em algum momento depois da decisão o presidente falou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o porta-voz evitou responder.

“O presidente não me comentou se fez alguma conexão ou ligação com o ministro Paulo Guedes”, respondeu.

Em viagem aos Estados Unidos, Guedes não se manifestou o dia inteiro. Uma fonte da equipe econômica classificou a decisão súbita de Bolsonaro como “preocupante”.

 

*********************

 Bovespa opera em alta; ações da Petrobras sobem mais de 2%

15/04/2019
G1

Na sexta, Ibovespa fechou em queda de 1,98%, a 92.875 pontos, acumulando perda de 4,36% na semana. Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado após suspensão de alta do diesel.

O principal indicador da bolsa paulista, a B3, abriu e alta nesta segunda-feira (15), após cair quase 2% na última sexta-feira, pressionada pelo tombo de mais de 8% das ações da Petrobras, em meios às preocupações sobre a interferência do governo na política de preços de combustíveis da estatal.

Às 12h02, o Ibovespa subia 0,49%, a 93.329 pontos. Veja mais cotações.

Perto do mesmo horário, as ações da Petrobras subiam acima de 2%, segundo a B3. O papel preferencial tinha alta de 2,50%. Já a ação ordinária subia 2,05%.

Eletrobras liderava as altas do índice com avanço de mais de 3%. Na outra ponta, Ecorodovias recuava mais de 4%.

Na sexta-feira, a Bolsa fechou em queda de 1,98%, a 92.875 pontos, acumulando perda de 4,36% na semana. No mês, o Ibovespa tem queda de 2,66%. No ano, entretanto, a bolsa ainda tem alta de 5,68%

No foco dos investidores também permanece a tramitação da reforma da Previdência no Congresso e indicadores que mostram a fraqueza e perda de fôlego da economia neste começo de ano.

O nível de atividade da economia brasileira registrou, em fevereiro, a maior retração desde maio de 2018 - quando ocorreu a greve dos caminhoneiros, segundo indicam números divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central. O chamado Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma "prévia" do resultado do PIB, registrou em fevereiro um recuo de 0,73%, na comparação com janeiro deste ano.

Os analistas das instituições financeiras baixaram, pela sétima vez seguida, a estimativa para o crescimento do PIB em 2019, de 1,97% para 1,95%.

Petrobras perdeu na sexta R$ 32,4 bi em valor de mercado

Na sexta-feira, a Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado na Bolsa após a decisão do presidente Jair Bolsonaro de intervir na estatal e barrar o reajuste de 5,74% no preço do diesel que havia sido anunciado pela empresa.

As ações ordinárias da Petrobras caíram 8,54%, negociadas abaixo de R$ 30 por papel. Já as preferenciais recuaram 7,75%, perto de R$ 25 por ação. Apesar do forte tombo, os papéis da Petrobras ainda acumulavam no fechamento do pregão de sexta mais de 15% no ano.

A Petrobras afirmou na noite desta sexta, em esclarecimento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que a decisão de reverter o reajuste do diesel foi tomada após a avaliação de que as condições permitiam um espaçamento por mais alguns dias no reajuste do preço do combustível.

Na nota, a estatal afirma que, diante do anúncio do reajuste, e de ameaças de uma nova paralisação dos caminhoneiros, foi alertada pela União para o possível agravamento da situação.

A decisão trouxe incerteza com relação ao perfil liberal da administração Jair Bolsonaro e coloca em dúvida os passos futuros do governo na agenda econômica, segundo os analistas ouvidos pelo G1. Paulo Guedes é o maior expoente desse liberalismo no governo.

Bolsonaro irá se reunir nesta tarde com Paulo Guedes e outros ministros para discutir a política de preços de combustíveis. No sábado, o ministro disse que irá conversar com o presidente sobre a intervenção do governo a Petrobras, destacando que com "conversa" é possível "consertar" decisão "que não seja muito razoável".

 

*********************

  CCJ se reúne hoje para debater parecer da Previdência

15/04/2019
Agência Brasil

Para presidente do colegiado, haverá mapeamento das intenções de voto.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara se reúne hoje (15), a partir das 14h, para debater o parecer da reforma da Previdência (PEC 6/19). O presidente do colegiado, Felipe Francischini (PSL-PR), disse que até amanhã (16) haverá um “mapeamento das intenções de votos”.

Em entrevista coletiva em Curitiba, Francischini demonstrou otimismo com a votação. “[Integrantes da base aliada do governo] estão fazendo trabalho de corpo a corpo, conversando individualmente com cada deputado, começando pelos integrantes da CCJ”, disse. “Acredito que já há condições para superar obstáculos.”

Sessão

Segundo o presidente da CCJ, o esforço é para agilizar o processo de discussão e votação na comissão e, assim, enviar para a comissão especial. “Minha intenção é que o trâmite seja o mais ágil possível”, afirmou.

Francischini estima uma longa discussão em torno da proposta, já que 85 deputados estão inscritos para o debate. “Após dez oradores, pode ser apresentado pedido de encerramento de discussão, mas acredito que está caminhando para todos falarem, o que pode significar mais de 20 horas de debate”,

Orçamento impositivo

O presidente da CCJ afirmou que a proposta que amplia o orçamento impositivo (PEC 34/19) pode ser votada na comissão nesta semana. Lembrou, entretanto, que a reforma da Previdência é prioridade no colegiado.

Francischini disse que se um requerimento de inversão de pauta for apresentado, será colocado em votação. “O plenário da CCJ é soberano. Se aprovar [o requerimento de inversão de pauta], o primeiro item será o orçamento impositivo”.

 

*********************

  Há condições de votar Previdência na CCJ na próxima semana, mas é difícil prever prazos, diz Francischini

15/04/2019
Maria Carolina Marcello
Reuters

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini (PSL-PR), afirmou nesta sexta-feira que a reforma da Previdência será o primeiro item da pauta da comissão na semana que vem, seguida da proposta que torna o Orçamento mais impositivo.

A ideia do presidente é iniciar a discussão da reforma na segunda-feira na CCJ. O deputado relata, no entanto, dificuldade para prever prazos.

“A minha ideia é que seja o mais ágil possível, que nós possamos proceder a votação (da reforma da Previdência) já na semana que vem para liberar a abertura da comissão especial que vai analisar o mérito e as alterações do projeto”, disse o presidente da CCJ a jornalistas em Curitiba.

“A decisão que tomo hoje é uma decisão de foro meu, como presidente da comissão, de que a pauta nossa é a Previdência. Então item número um, a Previdência, e item número dois, PEC do Orçamento impositivo. E se algum deputado quiser diferente, apresente requerimento e inverta a pauta”, afirmou.

O presidente da CCJ acrescentou que a PEC do Orçamento impositivo está pautada para a segunda-feira, após a discussão da reforma da Previdência.

Deputados, principalmente do chamado centrão, já comunicaram Francischini da sua intenção de votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento impositivo na segunda-feira. Da primeira vez que foi votada pela Câmara —a PEC já passou pelo Senado e volta para uma segunda análise dos deputados— foi encarada como um sintoma da insatisfação de parlamentares com o governo.

Há o temor, entre defensores da reforma, que uma votação da PEC do Orçamento impositivo atrase a discussão e votação da reforma da Previdência. Nas contas do presidente da CCJ, há cerca de 90 inscritos para debater as mudanças nas regras de aposentadoria, o que pode levar mais de 20 horas de discussão.

Também teme-se uma queda brusca no quórum na quarta-feira, caso a votação se entenda para esse dia, por conta do feriado da Páscoa.

Por isso mesmo, Francischini aposta em uma mobilização dos principais articuladores da reforma no fim de semana, para achar uma equação que permita a votação da Previdência na próxima semana.

“Hoje, numa conjuntura de um pouco de instabilidade política, é muito difícil a gente estabelecer cronogramas e prazos. No entanto, eu acredito que com um esforço conjunto do governo com os partidos do centro é possível que já votemos e aprovemos na semana que vem a Previdência.”

Francischini também relata conversas com o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), para que seja acertado um acordo de procedimento com a oposição, de forma a dar a chance de fala a todos, mas com o compromisso de uma redução na obstrução. Também pode haver a apresentação de um instrumento que encerre as falas e inicie processo de votação em si.

“A certeza que eu tenho é que nos vamos iniciar a discussão da reforma na segunda-feira... e nós vamos ter que averiguar se algum deputado vai apresentar o encerramento da discussão”, disse.

“Isso vai pautar muito se a votação poderá acontecer na terça ou na quarta-feira da semana que vem.”

 



‹‹ voltar