DIA 20 DE AGOSTO DE 2018

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. ‘Vai ser a eleição do celular contra a televisão’, diz Maurício Moura

2. Pesquisa CNT/MDA aponta Lula com liderança folgada na disputa presidencial

3. Dólar sobe e encosta em R$3,95 após pesquisa eleitoral

4. Em 2º debate entre presidenciáveis, Ciro mira Alckmin e Marina tem forte embate com Bolsonaro

5. Lava Jato garantiu que eleitor possa votar em outubro sabendo a verdade, diz Marina

6. Em busca de alternativas para os venezuelanos, Temer reúne ministros

7. Governo enviará 120 militares e 36 voluntários da saúde para Roraima

8. OAB alerta que há riscos de novas tragédias como a de Pacaraima

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 ‘Vai ser a eleição do celular contra a televisão’, diz Maurício Moura 

20/08/2018
Sonia Racy
O Estado de S.Paulo

Na disputa presidencial em curso, que esquenta a partir do dia 31 com propaganda em rádio e televisão, “não dá pra pensar numa estratégia eficiente sem o WhatsApp. E não vai existir a tal separação entre propaganda na TV e as redes digitais”. Esse desenho de campanha é do analista eleitoral Maurício Moura, do grupo IdeiaBigData. “Vai ser uma batalha entre o celular e a televisão”, resume o estudioso, nesta entrevista a Gabriel Manzano.

Seus números dão o que pensar. “Há hoje pelo menos 90 milhões de brasileiros usando WhatsApp, num País de 147 milhões de eleitores. E cada cidadão consulta seu celular, em média, 30 vezes por dia”. Outra conta decisiva: “A audiência da propaganda política nas tevês, na média nacional, caiu de 22 pontos em 2008, para 6 em 2016”. Ou seja, a disputa não será tão desigual quanto alguns imaginam.

Moura é um dos pioneiros, no País, do uso do chamado microtargeting eleitoral – a análise das pesquisas a partir de segmentos, como o evangélico, o feminino, o de alta renda — que ele trouxe ao Brasil em 2010. Economista e pesquisador de políticas públicas na George Washington University e em Harvard, nos EUA, autor de dois livros e muitos ensaios sobre a área, ele aplicou essa técnica nas recentes eleições de Colômbia, Chile, Peru e México. O microtargeting “permite o uso de inteligência e eficácia nas campanhas”, avisa. Com ele, o candidato “pode direcionar recursos para os nichos onde tem, de fato, potencial de votos”. A seguir, trechos da conversa.

No que o microtargeting difere de outras leituras da pesquisa eleitoral?
O microtargeting busca dados de redes sociais, fatia o eleitorado em segmentos e procura entender as nuances de cada universo. Feito isso, cria abordagens específicas para cada um deles. É muito utilizado nos EUA, onde eu estudo e trabalho. E eu comecei a aplicar a técnica à realidade da América Latina. O que a gente faz é enxergar o eleitorado em segmentos. Por exemplo, os segmentos evangélico, feminino, o rural, o de alta renda.

Que lições você tirou dessas recentes eleições no Chile e na Colômbia?
A grande lição é que, quanto mais dados específicos, melhor você conhece o eleitorado. Isso permite ao candidato organizar campanhas mais baratas e eficientes. Por exemplo, aprendi na Colômbia e no México que a principal plataforma por lá não foi Facebook, nem Instagram, nem LinkedIn. Foi o WhatsApp. Trazendo para o Brasil, juntei as coisas. As campanhas daqui também terão menos recursos e precisam gastar com inteligência. O ponto central é que não dá pra pensar em campanha eficiente no Brasil de hoje sem o WhatsApp.

Isso tem algo a ver com uma mailing list superselecionada?
Não. Falo de comprar, por exemplo, o impulsionamento no Facebook. Isso vai ser permitido. Só que impulsionamento, em si, é pouco. É preciso saber com quem se está falando e entregar um conteúdo que cada eleitor aceita e entende.

O cenário pela frente, até 5 de outubro, é de luta mortal entre a tradicional propaganda na TV e os novos meios das redes digitais. Como avalia isso?
Primeiro: não há mais essa separação entre campanha na TV ou digital, é tudo uma coisa só. O conteúdo é todo integrado. Mas há alguns fatores relevantes nessa dinâmica, a começar pelo fato de que o acesso ao smartphone no Brasil aumentou demais. O cálculo é que existam hoje no País 90 milhões de WhatsApps ativos.

O que dá mais de um terço da população brasileira…
E se você comparar com 147 milhões de eleitores, dá mais que a metade. Como a maioria esmagadora desses cidadãos participa de grupos, a discussão política será intensa fora da TV. Fiz uma pesquisa nacional, em abril, na qual 75% das pessoas disseram que já tinham recebido conteúdo político no Whats. E 90% dos consultados esperam receber material eleitoral durante a campanha. Junte esses dados a outro recém-divulgado pelo Facebook, de que as pessoas olham o celular em média 30 vezes ao dia. Conclusão: daqui até outubro, ele vai concorrer diretamente com a televisão.

‘A PROPAGANDA ELEITORAL
PELA TEVÊ PERDEU RELEVÂNCIA’

Terá a mesma ‘audiência’?
O que percebo é que a audiência do programa eleitoral na TV, aquela sequência de 10 minutos, caiu nos últimos tempos. Em 2008 monitorei a procura desses horários em São Paulo e Rio. Ela forma um “U” ao longo da campanha: alta no começo, cai depois para subir na semana final. Esse ápice era de 22 pontos em 2008 e encolheu para apenas 6 pontos em 2016. O que se constata é que a propaganda eleitoral pela TV perdeu a relevância. O que cresceu em importância foram os spots de 30 segundos dos partidos. Eles sim é que podem concorrer com o celular.

Ou seja, os 9 segundos do Bolsonaro poderão ter um peso negativo menor que o imaginado. Essa previsão faz sentido?
Fazemos aqui uma conta sem Lula. Os dois atuais líderes na pesquisa, Bolsonaro e Marina, têm pouco tempo mas isso não significa que estarão inteiramente fora da TV. Eles vão aparecer nos noticiários noturnos. Ali dirão o que pensam, o que estão fazendo, onde… Com o spot na TV o candidato tem seus 30 segundos – e serão 44 inserções diárias. Somem-se o spot, o celular, os telejornais e o resultado é que quem souber trabalhar pode fazer uma campanha eficiente.

Há uma avaliação de que todo o barulho nas redes sociais não muda voto de ninguém. Que é um grito fanático de cada lado. Ou seja, o potencial de mudança de voto nas redes seria mínimo.
Acho que esse é um raciocínio muito para as redes, onde os algoritmos colocam para discussão pessoas que pensam igual. Nesse sentido, essa visão é correta. Mas o WhatsApp não é algoritmo. Ele é aberto, o eleitor vê críticas e defesas de todos os lados, escolhe qual deles quer ver e qual quer apagar. Isso torna possível se criar bolhas de discussão.

Você se referiu, recentemente, ao voto envergonhado, em especial para Trump nos EUA. Vamos ter voto envergonhado por aqui – no caso, para Bolsonaro?
Temos tido vários exemplos de voto envergonhado. O Trump nos EUA, a Marine Le Pen na França, Esta eleição brasileira abriga mais radicalismos que as anteriores e isso é algo a se considerar. Ela pode se tornar um desafio enorme para os institutos de pesquisa, pois em eleições muito apertadas o voto envergonhado pode fazer a diferença. Na eleição do Trump, ele e a Hillary Clinton estavam empatados em alguns Estados, como Flórida e Ohio. Ali ele acabou levando.

Estudiosos sustentam que ficou defasada a visão de uma sociedade dividida entre direita e esquerda, jovens e velhos, operários e patrões. Dizem que o tempo é de ONGs, tribos, periferias, redes, flashmobs. Como isso afeta a sua análise?
Não sou sociólogo, e vou responder baseado no meu campo. O que vimos no Brasil em 2006, 2010 e 2014 foi que regiões de maior renda votaram no PSDB e as de menor votaram no PT. Vale para Norte ou Sul, para a prefeitura de São Paulo… O Dória ganhou no primeiro turno porque a periferia teve enorme taxa de votos nulos, brancos e abstenções. Isso ajudou muito o PSDB.

Então o que decide mesmo, no final, é a renda?
Ela é a principal variável eleitoral. A eleição sempre teve como fator predominante a economia, coisas como geração de emprego e renda. Mas este ano entraram dois novos temas, a segurança e a corrupção. A Lava Jato igualou os partidos na cabeça do eleitorado. O que pode sair disso? Minha primeira expectativa é que vamos seguir com o aumento dos votos em branco, nulos e abstenções. Esse índice foi de 28,5% em 2015 e chegou a 35% nas municipais de 2016. E no segundo turno destas últimas bateu nos 41%.

‘CREIO QUE SE REPETIRÁ O QUE
VEM OCORRENDO DESDE 1989, COM
A FINAL ENTRE ALGUÈM
DO CENTRO E OUTRO DA CENTRO-ESQUERDA’

E sua segunda expectativa?
É que no segundo turno teremos um candidato presidencial do campo popular e um do centro. De um lado brigam Marina, Ciro e PT, do outro Alckmin e Bolsonaro. É uma tendência que se repete desde 1989 e acho que não vai mudar. E há um terceiro cenário: quando tivermos um eleito, o País terá um terço com o governo, outro com as oposições e um terço que não quer saber de nada. O risco é termos um presidente com popularidade baixa, insuficiente para implementar um programa. Isso num cenário social de eleitores indignados, muitos dos quais melhoraram de padrão e caíram de novo.

Esse risco ocorre com um pano de fundo desafiador: as constantes críticas aos limites da democracia para dar respostas satisfatórias ante avanços tecnológicos de uma sociedade global e digital.
E esse é um tema super-relevante, não só no Brasil, mas no planeta. A economia é digital, a política analógica. Mas acho que a tecnologia trouxe também um elemento fundamental, a transparência e velocidade da informação. A tecnologia vai forçar para que as informações cheguem melhores e mais rapidamente ao cidadão. E este, com o tempo, pode aprender a votar melhor.

É uma visão esperançosa…
Democracia se corrige e se melhora com mais democracia.

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 Pesquisa CNT/MDA aponta Lula com liderança folgada na disputa presidencial 

20/08/2018
Maria Carolina Marcello
Reuters

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente na disputa presidencial, mesmo preso em Curitiba desde abril deste ano, apontou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira.

Em cenário de pergunta estimulada, o ex-presidente figura como o favorito de 37,3 por cento dos entrevistados, seguido do deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 18,8 por cento, de Marina Silva (Rede), com 5,6 por cento, de Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,9 por cento, Ciro Gomes (PDT), com 4,1 por cento, e Alvaro Dias (Podemos), com 2,7 por cento.

A sondagem aponta 14,3 por cento de votos nulos e brancos, enquanto 8,8 por cento dos entrevistados se mostraram indecisos.

No levantamento divulgado em maio, Lula registrava 32,4 por cento das intenções de voto, à frente de Bolsonaro, com 16,7 por cento, Marina, com 7,6 por cento, Ciro com 5,4 por cento, Alckmin, com 4,0 por cento, e Dias, com 2,5 por cento.

Lula também lidera os cenários de segundo turno. O petista vence Ciro, Alckmin, Bolsonaro e Marina com larga margem. Nos cenários da segunda rodada em que Lula não figura como candidato, Bolsonaro aparece numericamente à frente, mas com uma vantagem que configura empate técnico, por estar dentro da margem de erro.

TRANSFERÊNCIA DE VOTO
Ainda que tenha levado em conta aqueles que oficialmente pediram registro de candidatura junto à Justiça Eleitoral, o instituto tentou estimar a capacidade de transferência de voto de Lula.

Dentre os que declaram voto no petista, o vice na chapa do ex-presidente, Fernando Haddad (PT), é o que mais se beneficia, com a migração de 17,3 por cento dos eleitores de Lula.

Em seguida vem Marina, com 11,9 por cento, Ciro com 9,6 por cento, Bolsonaro, com 6,2 por cento e Alckmin, com 3,7 por cento.

A pesquisa também mediu a popularidade do presidente Michel Temer. Para 78,3 por cento, a avaliação foi negativa, em comparação aos 71,2 por cento registrados em maio.

A avaliação positiva ficou em 2,7 por cento, ante 4,3 por cento.

Encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, a pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Foram ouvidas 2002 pessoas, entre os dias 15 e 18 de agosto. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob o número BR-09086/2018.

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 Dólar sobe e encosta em R$3,95 após pesquisa eleitoral

20/08/2018
Claudia violante
Reuters

O dólar operava em alta e perto do patamar de 3,95 reais nesta segunda-feira, após a pesquisa eleitoral CNT/MDA mostrar que o candidato que mais agrada ao mercado, Geraldo Alckmin (PSDB), continuava com pequena fatia do eleitorado, bem atrás de outros postulantes.

Às 12:15, o dólar avançava 0,75 por cento, a 3,9439 reais na venda, depois de bater 3,9569 reais na máxima do dia. O dólar futuro tinha avanço de cerca de 0,80 por cento.

“Qualquer candidato que mostre crescimento melhor que Alckmin vai fazer preço”, afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

De acordo com a pesquisa CNT/MDA, Lula tem 37,3 por cento das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro (PSL), com 18,8 por cento, Marina Silva (Rede), com 5,6 por cento, Alckmin, com 4,9 por cento, e Ciro Gomes (PDT), com 4,1 por cento.

O mercado avalia que Alckmin é mais comprometido com reformas que considera necessárias ao ajuste fiscal do país.

O levantamento da CNT/MDA não trouxe cenários sem a presença de Lula. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) é o provável substituto do líder petista, que está preso desde abril passado e deve ser impedido de concorrer à Presidência por conta da Lei da Ficha Limpa.

Depois do fechamento dos mercados nesta sessão, deverá ser divulgada outra pesquisa para as eleições de outubro, dessa vez do Ibope. E na madrugada de quarta-feira deve ser sair a nova pesquisa do Datafolha.

No exterior, o dólar subia ante uma cesta e também sobre divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

Os investidores estavam sob a expectativa das conversas entre representantes de Estados Unidos e China nesta semana, com esperanças de que possam haver algum avanço na disputa comercial entre os dois países.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 3,36 bilhões de dólares do total de 5,255 bilhões de dólares que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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 Em 2º debate entre presidenciáveis, Ciro mira Alckmin e Marina tem forte embate com Bolsonaro 

20/08/2018
Eduardo Simões
Reuters

No segundo debate entre os principais candidatos à Presidência da República, realizado nesta sexta-feira pela RedeTV e pela revista IstoÉ, o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, buscou polarizar com Geraldo Alckmin, do PSDB, e o embate mais duro do encontro ficou por conta de um duelo entre Marina Silva, da Rede, e Jair Bolsonaro, candidato do PSL.

Pela segunda vez, o debate entre os postulantes ao Palácio do Planalto não contou com um representante do PT, depois que a Justiça Eleitoral rejeitou pedido do partido para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba e lidera as pesquisas, participasse do encontro.

A organização do debate chegou a colocar um púlpito para Lula, mas ele foi retirado do estúdio, de acordo com a RedeTV, por decisão da maioria dos oito presidenciáveis presentes. Apenas o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, defendeu a manutenção do púlpito no estúdio.

No duelo mais duro do debate, Bolsonaro indagou Marina sobre a posição dela a respeito do porte de arma. A candidata da Rede se declarou contrária ao porte de arma de fogo, mas usou a maior parte do tempo de resposta para criticar o rival que, pouco antes, ao responder pergunta do candidato do MDB, Henrique Meirelles, disse que não era necessário se preocupar com a diferença de salários entre homens e mulheres, pois a igualdade está prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que um homem e ter as mesmas capacidades, a mesma competência e ser a primeira a ser demitida, ser a última a ser promovida e quando vai a uma fila de emprego, pelo simples fato de ser mulher, não é aceita. Não é uma questão de que não precisa se preocupar. Tem que se preocupar, sim”, disparou Marina.

“Precisa se preocupar, sim. O presidente da República está lá para combater injustiça”, acrescentou.

Bolsonaro rebateu atacando Marina por sua defesa de plebiscitos para decidir questões como eventuais mudanças na legislação sobre o aborto e legalização da maconha.

“Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para aborto e para maconha, e quer agora defender a mulher. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, que tem um filho jogado no mundo das drogas”, disse Bolsonaro, que chegou a afirmar que a adversária não podia interrompê-lo quando ela fez uma tentativa neste sentido.

Marina rebateu, então, mirando no estilo de Bolsonaro.

“Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães, nós educamos os nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver o filho ser educado para ser um cidadão de bem e você fica ensinando os nossos jovens que tem que resolver as coisas é na base do grito”, criticou.

“Numa democracia, o Estado é laico”, completou, ao rebater as críticas do adversário sobre a ideia de plebiscitos sobre aborto e a legalização da maconha.

Chamado ao palco logo em seguida para fazer uma pergunta ao candidato do Patriota, Cabo Daciolo, Guilherme Boulos aproveitou o embate anterior para mirar em Bolsonaro.

“Quero parabenizar você, Marina, por ter colocado o Bolsonaro no seu lugar”, disse.

CIRO X ALCKMIN
Nos momentos em que o encontro enveredou para discussões sobre economia e emprego, Ciro buscou perguntar a Alckmin e, em tom ameno, pontuar diferenças de propostas que tem com o tucano.

“Governador Alckmin não me leve a mal, mas nós precisamos esclarecer aí umas diferenças de compreensão do Brasil. Então se vossa excelência me permite, o convido novamente ao palco, para não dizer ringue”, disse Ciro em um dos momentos em que chamou Alckmin para o embate.

Em um outro momento de duelo entre ambos, Alckmin afirmou que o PSDB fez o Plano Real, na época em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ministro da Fazenda.

Ciro rebateu a afirmação: “Quem fez o Plano Real foi o Itamar Franco, presidente muito injustiçado”, disse o pedetista.

Alckmin então respondeu. “Toda a homenagem ao presidente Itamar Franco”, disse. “Ele acertou quando trouxe o Fernando Henrique”, acrescentou.

PÚLPITO DE LULA
Principal ausente da noite, Lula, que deve ser impedido de disputar a eleição com base na Lei da Ficha Limpa, foi citado apenas duas vezes: em uma pergunta do candidato do Podemos, Alvaro Dias, a Marina, e em um comentário de Bolsonaro sobre a retirada do púlpito destinado ao petista.

“O político inelegível não é um preso político, é um político preso”, disse Dias sobre Lula. “Não há como admitir essa vergonha nacional de uma encenação de uma candidatura que não pode existir”, acrescentou ele, ao indagar Marina sobre sua opinião sobre este tema.

A candidata da Rede se disse comprometida com o combate à corrupção e aproveitou para alfinetar Alckmin, que fechou coligação com várias legendas que foram da base de governos petistas e do governo do presidente Michel Temer.

“Este púlpito vazio já está preenchido pelos mesmos que estavam no palanque anterior, já no palanque do candidato do PSDB. É por isso que eu digo, Alvaro, aqueles que criaram o problema, não vão resolver o problema.”

No segundo momento em que Lula foi citado, Bolsonaro elogiou a RedeTV pela retirada do púlpito destinado a Lula.

“Quando aqui cheguei havia um púlpito que ninguém ocupava. Naquele espaço estava escrito ‘Luiz Inácio Lula da Silva’. Então junto à direção, fiz esse questionamento e quero agradecer à RedeTV por ter retirado o púlpito do Lula. Não podemos dar espaço aqui para um bandido condenado por corrupção”, disse Bolsonaro.

A organização do debate voltou a esclarecer, então, que o púlpito foi retirado por decisão de todos os participantes, com exceção de Boulos.

Meirelles, que tem tido dificuldade de ter desempenho significativo nas pesquisas, buscou dizer que não é político e que, quando ocupou posições-chave na condução da economia, 12 milhões de empregos foram criados. Tentou ainda polarizar em vários momentos com Bolsonaro, como quando indagou o rival sobre disparidade salarial entre gêneros.

Boulos mirou em Meirelles, a quem chamou de “banqueiro”, e Alckmin, voltando a se referir a “50 tons de Temer” em seus rivais.

Assim como no debate anterior, realizado na semana passada pela TV Bandeirantes, Cabo Daciolo manteve um discurso em tom religioso, sempre levando uma Bíblia na mão e dando “glória” a Jesus Cristo.

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 Lava Jato garantiu que eleitor possa votar em outubro sabendo a verdade, diz Marina

20/08/2018
Reuters

A candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, disse nesta segunda-feira que a Lava Jato garantiu que a população possa votar este ano sabendo a verdade e que há envolvidos na operação na “linha de frente da eleição”.

“Agora as pessoas sabem da verdade, a verdade que foi revelada pela Lava Jato. A grande dificuldade que nós temos pela frente é o que fazer com essa verdade”, disse a candidata a jornalistas após participar de evento em São Paulo.

“Os que criaram problemas já estão todos perfilados para continuar no poder. E os que criaram o problema não têm como resolver o problema, eles só vão agravar o problema”, disse Marina, sugerindo que talvez alguns partidos tenham de tirar um período sabático para avaliações, citando o MDB, PT e PSDB.

“É muito estranho dizer que vai ter tolerância zero com a corrupção e ter todos os que estão envolvidos na Lava Jato já na linha de frente da eleição”, afirmou a candidata, sem citar nomes.

Durante o evento, a ex-ministra defendeu que não tem preconceito com legados de outros partidos, como PT e PSDB e que não irá “inventar a roda”, mas que é preciso traçar outro caminho, uma vez que o atual levará a um “poço sem fundo”.

PSDB
Questionada sobre a possibilidade de aceitar o apoio do PSDB num eventual segundo turno, Marina não negou, mas disse que discutirá o “segundo turno no segundo turno”.

“Eu sempre digo que vou governar com pessoas de bem, de todos os partidos, desde 2010, e pessoas de bem da sociedade. A diferença é que não serão apenas os partidos. A academia, os movimentos sociais, os empresários de bem terão espaço dentro do governo”, afirmou.

Marina voltou a comentar afirmação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse em entrevista ao jornal O Globo que falta “um pouco de malignidade” à candidata.

Para ela, talvez seja o excesso de malignidade que tenha levado o Brasil a essa situação de malignidade. “É preciso a gente botar uma forcinha da virtude.”

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 Em busca de alternativas para os venezuelanos, Temer reúne ministros 

20/08/2018
Agência Brasil

Reunião está marcada para as 15h no Palácio do Planalto.

O presidente Michel Temer promove nesta segunda-feira (20), a partir das 15h, no Palácio do Planalto, mais uma etapa de reuniões no esforço de buscar soluções para a crise envolvendo os imigrantes venezuelanos em Roraima. Foram chamados sete ministros. Raul Jungmann, da Segurança Pública, viaja hoje para a Colômbia, onde vai discutir segurança nas fronteiras.

Ontem (19), outra reunião foi convocada por Temer, no Palácio da Alvorada. Durante cinco horas,o presidente e ministros discutiram a situação em Roraima, depois dos confrontos entre brasileiros e venezuelanos no município de Pacaraima.

Para a reunião de hoje são esperados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Joaquim Silva e Luna (Defesa), Moreira Franco (Minas e Energia), Edson Duarte (Meio Ambiente), Gustavo Rocha (Direitos Humanos), Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), e Grace Maria Fernandes Mendonça (Advocacia-Geral da União).

Também são aguardados o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (MDB-RR), os secretários executivos do Ministério da Justiça, Gilson Libório de Oliveira Mendes, e da Segurança Pública, Luís Carlos Cazetta, o diretor de Saneamento da Caixa, Antônio Gil da Silveira, e os presidentes do Ibama, Suely Araújo, da Funai, Wallace Moreira Bastos, e da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior.

Medidas

Na reunião de ontem, Temer e os ministros definiram medidas emergenciais para a região de Roraima, onde está uma grande concentração de imigrantes venezuelanos. De forma imediata, serão enviados 120 homens para a Força Nacional e 36 voluntários da área da saúde, que atuarão em parceria com hospitais universitários.

Os homens irão para Roraima em duas etapas: inicialmente, 60 e depois mais 60, ainda sem data definida, o que totaliza 151 homens da Força Nacional em Pacaraima, com os 31 que já se encontram no estado.

Paralelamente será realizado o ordenamento da fronteira, com controle e triagem adequados, e com a ampliação da presença da União nas áreas social e de segurança.

Há ainda a previsão de construir dez abrigos para os imigrantes. Segundo as autoridades, dois estão em fase de conclusão. Também haverá um esforço para encaminhar os imigrantes para outras regiões do país – a chamada interiorização.

Outra medida é a manutenção de um abrigo de transição, entre Boa Vista e Pacaraima, para atendimento humanitário dos migrantes que aguardam o processo de interiorização, de forma a reduzir o número de pessoas nas ruas.

Serão intensificadas as negociações para o início das obras do “linhão”, que permitirá a integração do estado de Roraima com o sistema elétrico nacional.

Estopim

O estopim da crise em Roraima ocorreu há dois dias, no sábado (18), em Pacaraima, em Roraima. Moradores da cidade atacaram barracas dos imigrantes venezuelanos, inclusive ateando fogo, depois que um comerciante local foi assaltado e espancado. De acordo com as autoridades locais, não há registro de feridos entre os venezuelanos. Há suspeita de que o assalto tenha sido praticado por um grupo de venezuelanos.

Depois do episódio, o Exército confirmou que 1,2 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira do país com o Brasil.

Em nota, a Presidência da República disse que governo federal “está comprometido com a proteção da integridade de brasileiros e venezuelanos”, e que o Itamaraty está em contato com as autoridades venezuelanas.

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  Governo enviará 120 militares e 36 voluntários da saúde para Roraima

20/08/2018
Mariana Tokarnia
Agência Brasil

Medida foi anunciada pelo presidente Temer após reunião de emergência.

O governo federal enviará a Roraima um reforço de 120 homens para a Força Nacional, além de, no próximo domingo (26), 36 voluntários da área da saúde para atendimento aos imigrantes venezuelanos, em parceria com hospitais universitários. As medidas estão entre as ações anunciadas hoje (19) pelo presidente Michel Temer após reunião de emergência com ministros no Palácio da Alvorada, convocada para avaliar a situação na fronteira do Brasil com a Venezuela.

De acordo com o Ministério da Segurança Pública, nesta segunda-feira (20) irão 60 homens, e depois mais 60, ainda sem data definida, o que totaliza 151 homens da Força Nacional em Pacaraima, com os 31 que já se encontram no estado.

No sábado (18), em Pacaraima, em Roraima, moradores da cidade atacaram barracas e abrigos dos imigrantes venezuelanos, inclusive ateando fogo, depois que um comerciante local foi assaltado e espancado. De acordo com as autoridades locais, não há registro de feridos entre os venezuelanos. O comerciante brasileiro que sofreu uma tentativa de assalto, supostamente por um grupo de venezuelanos, permanece internado em Boa Vista, e seu estado de saúde é estável.

Após o ocorrido, cerca de 1,2 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira do país com o Brasil.

Por meio de nota, a Presidência da República disse que governo federal “está comprometido com a proteção da integridade de brasileiros e venezuelanos”, e que o Itamaraty está em contato com as autoridades venezuelanas. “No dia de ontem (sábado), esse diálogo serviu, também, para que cerca de trinta brasileiros, que se encontravam em território venezuelano, pudessem retornar em segurança ao Brasil”.

A nota diz ainda que o governo continua em condições de empregar as Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Roraima. Por força de lei, tal iniciativa depende da solicitação expressa da governadora do estado.

O governo listou uma séria de medidas que serão adotadas nos próximos dias: intensificar esforços de interiorização dos venezuelanos para outros estados; estabelecer abrigo de transição em Roraima, entre Boa Vista e Pacaraima, para atendimento humanitário dos imigrantes que aguardam o processo de interiorização, de forma a reduzir o número de pessoas nas ruas. Uma comissão interministerial irá ao local para avaliar medidas complementares, que se somarão às anteriores já tomadas, diz a nota.

Participaram da reunião no Palácio da Alvorada os ministros Joaquim Silva e Luna, da Defesa; Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional; Rossieli Soares, da Educação; Moreira Franco, de Minas e Energia; Raul Jungmann, da Segurança Pública; e o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Marcos Galvão,

Nota
A íntegra da nota da Presidência da República:

“O Presidente Michel Temer reuniu-se com ministros e assessores para avaliar a situação no Estado de Roraima e determinar novas ações do Governo Federal.

Desde a configuração da crise migratória, autoridades federais têm visitado Roraima assiduamente – o que inclui duas visitas do Presidente da República.

O Governo Federal, atento à segurança e ao bem-estar dos brasileiros de Roraima, tem envidado esforços abrangentes para apoiá-los, reduzindo o impacto do afluxo migratório sobre a população local. Para tanto, já tomou providências que somam mais de R$ 200 milhões e incluem:

- o ordenamento da fronteira, com controle e triagem adequados, e com a ampliação da presença da União nas áreas social e de segurança;

- a construção de 10 instalações (mais duas estão quase concluídas) que abrigam, temporariamente, os venezuelanos; e

- a interiorização dos migrantes para outros Estados.

Com o mesmo propósito de apoiar os brasileiros de Roraima, o Presidente da República determinou fossem tomadas as seguintes providências:

i. a intensificação dos esforços de interiorização dos venezuelanos para outros Estados;

ii. o estabelecimento de abrigo de transição em Roraima, entre Boa Vista e Pacaraima, para atendimento humanitário dos migrantes que aguardam o processo de interiorização, de forma a reduzir o número de pessoas nas ruas;

iii. a realização, amanhã, 20/8, de reunião com vistas a concluir as negociações para o início das obras do “linhão” que permitirá a integração do Estado de Roraima ao sistema elétrico nacional;

iv. o envio a Roraima, em 26/8, de 36 voluntários da área da saúde para atendimento aos migrantes, em parceria com hospitais universitários;

v. o deslocamento de comissão interministerial para avaliar medidas complementares, que se somarão às anteriores já tomadas; e

vi. o reforço da Força Nacional em Roraima com mais 120 homens;

O Governo Federal está comprometido com a proteção da integridade de brasileiros e venezuelanos.

O Itamaraty está em contato com as autoridades venezuelanas. No dia de ontem, esse diálogo serviu, também, para que cerca de trinta brasileiros, que se encontravam em território venezuelano, pudessem retornar em segurança ao Brasil.

O Governo Federal continua em condições de empregar as Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem em Roraima. Por força de Lei, tal iniciativa depende da solicitação expressa da Senhora Governadora do Estado.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República”.

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  OAB alerta que há riscos de novas tragédias como a de Pacaraima

20/08/2018
Agência Brasil

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, lamentou o episódio em Pacaraima, no estado de Roraima, envolvendo brasileiros e venezuelanos e disse que, se uma ação urgente não for tomada, há riscos de novas tragédias. Ele afirmou que conhece o local e que Roraima não dispõe de condições para receber os cerca de 800 venezuelanos que chegam diariamente ao estado.

Ontem moradores de Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, atacaram os venezuelanos que moram na cidade, inclusive queimando suas barracas, depois que um comerciante foi assaltado e espancado. Segundo os moradores, os suspeitos são quatro venezuelanos.

"O grave episódio de violência ocorrido neste sábado (18), na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, expõe de forma clara o drama humanitário que abate nossos vizinhos", afirmou Lamachia.

"O momento é de atenção, por isso é preciso que haja solidariedade federativa para preservar brasileiros e venezuelanos de um agravamento do difícil quadro em que se encontram."

Lamachia ressaltou que a situação, antes humanitária, agora trata-se de segurança pública.

"Está claro que o problema vem se agravando pela inoperância das autoridades ao longo desse episódio. O que era uma questão humanitária agora tem forte conotação de segurança. Os Estados precisam se organizar para receber os venezuelanos e dar um exemplo ao mundo de democracia e solidariedade" finalizou.



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