DIA 20 DE SETEMBRO DE 2018

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Brasil está ameaçado de cair num "fenômeno nazista e militarista", diz Ciro

2. Ciro chama de fascista ideia atribuída a economista de Bolsonaro de alíquota única de IR

3. Bolsonaro vai a 28%, Haddad a 16% e Ciro mantém 13%, diz Datafolha

4. Aliado de Alckmin, centrão já discute "fatura" para apoiar Bolsonaro ou Haddad no 2º turno

5. Campanha de Bolsonaro conversa com aliados de Alckmin em busca de apoio em segundo turno, diz dirigente do PSL

6. Haddad admite surpresa com velocidade do crescimento em pesquisas, mas evita expectativa sobre 2º turno

7. Bolsonaro chama de "mal intencionadas" notícias de que recriaria CPMF

8. Proposta tributária atribuída a economista de Bolsonaro é "cruel", diz Alckmin

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Brasil está ameaçado de cair num "fenômeno nazista e militarista", diz Ciro 

20/09/2018
Laís Martins
Reuters

O Brasil está diante da ameaça de cair num “fenômeno nazista e militarista”, disse nesta quinta-feira o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, que voltou a defender que os eleitores votem por convicção no primeiro turno, deixando o chamado voto útil para a segunda rodada.

“O povo brasileiro está em revolução, as pessoas estão mudando violentamente, estão procurando um caminho e eu entendo com o meu coração esse sentimento, porque é muita emoção, muita mudança de última hora... muita ‘fake news’”, disse Ciro a jornalistas após participar de uma reunião no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo.

“Então as pessoas estão preocupadas, o Brasil está ameaçado de uma queda no precipício, um fenômeno nazista, militarista e extremista”, acrescentou. “Mulheres estão sendo insultadas pelo mero fato de serem mulheres, meninos e meninas brigando de forma odienta, descambando para a violência, um candidato que emula a violência sofreu o que não pode acontecer, pela primeira vez na história moderna do Brasil.”

Para Ciro, nesse quadro, não é possível a pregação do voto útil já no primeiro turno.

“Voto útil é a negação da preferência do cidadão, o cidadão tem que votar em quem ele achar melhor e ficar em paz com a sua consciência”, argumentou Ciro.

“Depois tem o segundo turno onde a gente vota no menos pior. Mas agora não é possível tirar a esperança do povo de votar naquele que achar mais preparado, mais treinado”, acrescentou.

A possibilidade de apelos pelo voto útil cresceu depois que o Ibope divulgou pesquisa na terça-feira mostrando o candidato do PT, Fernando Haddad, isolado no segundo lugar, com 19 por cento das intenções de voto, enquanto Ciro tinha 11 por cento. O presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, liderava com 28 por cento.

Mas na madrugada de quinta-feira, O Datafolha divulgou levantamento mostrando Ciro e Haddad em empate técnico, embora o petista apareça numericamente à frente (16 a 13 por cento). Bolsonaro somou 28 por cento das intenções de voto também nesta pesquisa. [nL2N1W6088]

Apesar do quadro menos desfavorável na sondagem mais recente, Ciro voltou a colocar em dúvida os institutos de pesquisa.

“O que a gente precisa tirar de lição dessas pesquisas, que estão saindo praticamente todo dia, é que não é razoável que um cidadão amadurecido politicamente entregue sua decisão, sua preferência em relação à sorte da nação, da sua família, a institutos de pesquisa, nem porque eles podem ser desonestos, porque nesse país até deputado se compra, quanto mais instituto de pesquisa”, afirmou o presidenciável.

“Mas basicamente porque nós temos um sistema em que a gente pode ter duas opções, uma no primeiro turno e uma no segundo”, acrescentou.

Na véspera, Ciro havia ironizado a crença nos institutos de pesquisa.

Ao ser questionado se sua agenda de campanha pelo Nordeste na próxima semana visa frear o crescimento de Haddad na região, já que o Ibope aponta uma grande distância entre os dois no eleitorado nordestino, o pedetista respondeu: “E você acredita no Ibope? E em mula sem cabeça? Acredita também? E em Papai Noel, acredita?”

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 Ciro chama de fascista ideia atribuída a economista de Bolsonaro de alíquota única de IR 

20/09/2018
Leonardo Benassatto
Reuters

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, classificou como fascista a ideia de uma alíquota de Imposto de Renda, que teria sido apresentada por Paulo Guedes, coordenador econômico do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira.

Para o pedetista, a proposta vai na contramão do que é praticado no “mundo sério”, já que imporia uma carga tributária maior aos que ganham menos.

De acordo com o jornal, Guedes, que deve assumir o Ministério da Fazenda se Bolsonaro vencer a eleição, disse que adotará uma alíquota única de Imposto de Renda de 20 por cento. [nL2N1W509F]

“Todo o mundo sério cobra imposto de forma progressiva, ou seja, cobra menos de quem pode pagar menos e mais de quem pode pagar mais. O que o ‘posto Ipiranga’ do Bolsonaro está propondo é o inverso. Ou seja, o que é que ele está propondo? Pegar as pessoas que hoje pagam 7,5 ou 10 por cento de Imposto de Renda e passar a pagar 20. E as pessoas que ganham mais e que deveriam pagar um pouco mais, que hoje só pagam 27,5, pagar só 20”, disse Ciro a jornalistas após evento com sindicalistas em São Paulo.

“Ou seja, está fazendo o oposto, que é a cara do fascismo. O fascismo é exatamente isso, toda perseguição aos mais pobres —de preferência se forem mulheres, jovens, negros, indígenas ou LGBTs— e todo o privilégio para os barões de cima. O povo que decida se quer isso para o Brasil”, acrescentou.

Nesta tarde, o presidenciável recebeu apoio de centrais sindicais à sua candidatura. No Twitter ele comemorou a adesão da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Nova Central Sindical, da Confederação dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e da Força Sindical, essa última ligada ao deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) e ao Solidariedade, partido que compõe a coligação que apoia oficialmente o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

MULA SEM CABEÇA E PAPAI NOEL
Ciro também fez críticas ao Ibope, que divulgou pesquisa eleitoral na véspera apontando que o candidato do PT, Fernando Haddad, desgarrou-se dos demais candidatos e agora está isolado na segunda posição, atrás de Bolsonaro, que lidera a corrida presidencial.

“O que eu tenho dito à população é que nós não podemos ceder o nosso voto —que define, afinal de contas, o destino de nossa família, o destino da nação— aos institutos de pesquisa, independentemente de eles poderem ou não serem subornados —porque nesse país acaba se subornando tudo— independentemente disso, eles erram”, disse Ciro.

O presidenciável já havia feito apelo semelhante durante entrevista à rádio CBN, nesta manhã.

Ciro foi questionado se a agenda de campanha que fará na Região Nordeste nos próximos dias tem como principal objetivo conter o crescimento de Haddad na região. Ele negou e, quando um jornalistas afirmou que o Ibope aponta uma grande distância entre ambos no eleitorado nordestino, ironizou o instituto.

“E você acredita no Ibope? E em mula sem cabeça? Acredita também? E em Papai Noel, acredita?”, rebateu.

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 Bolsonaro vai a 28%, Haddad a 16% e Ciro mantém 13%, diz Datafolha

20/09/2018
Reuters

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, segue na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto, agora com 28 por cento de apoio, mostrou pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, que também apontou o candidato do PT, Fernando Haddad, com 16 por cento, em empate técnico com Ciro Gomes (PDT), que registra 13 por cento.

O levantamento anterior do Datafolha, divulgado na última sexta-feira, mostrava o candidato do PSL com 26 por cento da preferência do eleitorado, enquanto Haddad e Ciro estavam empatados com 13 por cento.

Na nova pesquisa, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aparece com 9 por cento, estável ante a pesquisa anterior, e Marina Silva (Rede) com 7 por cento, ante 8 por cento antes.

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

Apesar de ter colocado Haddad numericamente em segundo lugar à frente de Ciro, o Datafolha não mostrou o mesmo salto do petista apontado na terça-feira em pesquisa Ibope.

No levantamento do Ibope, Haddad apareceu isolado em segundo após crescer 11 pontos em relação à pesquisa anterior, chegando a 19 por cento, atrás de Bolsonaro, com 28 por cento, e à frente de Ciro, com 11 por cento.

O Datafolha divulgado na madrugrada desta quinta-feira no site do jornal Folha de S.Paulo mostrou que Alvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo) permaneceram com 3 por cento de apoio, enquanto Henrique Meirelles oscilou negativamente 1 ponto e foi a 2 por cento.

Disseram não saber em quem votar 5 por cento dos entrevistados, e 12 por cento declararam voto em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, segundo o Datafolha.

O Datafolha também pesquisou a rejeição dos candidatos, e apontou que Bolsonaro segue o mais rejeitado pelos eleitores, com 43 por cento, ante 44 por cento no levantamento anterior.

As maiores rejeições a seguir são, pela ordem, de Marina, com 32 por cento (ante 30 por cento); Haddad, com 29 por cento (ante 26 por cento); Alckmin, com 24 por cento (ante 25 por cento); e Ciro, com 22 por cento (ante 21).

Em simulações de segundo turno pesquisadas pelo Datafolha, Ciro é o único candidato que venceria todos os rivais. Em uma eventual disputa com Bolsonaro, o candidato do PDT ganharia por 45 por cento a 39 por cento.

Em outros cenários, Bolsonaro empataria com Haddad, Alckmin e Marina. No caso de uma disputa entre Bolsonaro e Haddad, os dois candidatos aparecem empatados com 41 por cento, enquanto o candidato do PSL fica com 39 por cento contra 40 por cento de Alckmin e teria 42 por cento contra 41 por cento de Marina.

O Datafolha ouviu 8.601 eleitores em 323 municípios brasileiros entre os dias 18 e 19 de setembro.

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 Aliado de Alckmin, centrão já discute "fatura" para apoiar Bolsonaro ou Haddad no 2º turno 

20/09/2018
Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu
Reuters

Partidos do centrão —formado por PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade—, formalmente coligados ao presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, já discutem a “fatura” que vão cobrar para apoiar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ou a candidatura do petista Fernando Haddad no segundo turno, afirmou um dirigente do grupo à Reuters sob a condição do anonimato.

A constatação do grupo é que o tucano —sem ter reagido nas pesquisas de intenção de voto— praticamente não tem mais condições de chegar à etapa final da corrida ao Palácio do Planalto e que, por essa razão, o blocão começou a conversar entre si e com lideranças da campanha de Bolsonaro e Haddad sobre como pode se dar o apoio.

Segundo essa fonte, a ordem é que lideranças do grupo não deixem Alckmin isolado até o primeiro turno da campanha, que ocorre no dia 7 de outubro. Mas já há tratativas nos bastidores para tentar fechar apoio para um dos candidatos. A “fatura” será o espaço que cada um dos presidenciáveis vai oferecer aos partidos do bloco no governo, caso seja eleito.

“Não acredito que ninguém vá abandonar a campanha do Alckmin, mas certamente o centrão já está se reunindo para juntos marchar para uma candidatura no segundo turno”, disse essa fonte. “Vamos negociar juntos e ver que posição vamos solicitar”, acrescentou.

A intenção de negociação em bloco é para aumentar o cacife do centrão com qualquer que seja o presidenciável, ainda mais tendo em vista que o eleito vai precisar de apoio no Congresso para tentar aprovar sua respectiva agenda de reformas no início do governo. Tanto Bolsonaro quanto Haddad disporiam, no momento, de fraca base parlamentar a julgar pelas coligações feitas na campanha.

No segundo turno, o tempo de horário eleitoral dos candidatos no rádio e na TV é igual e o eventual apoio de novos partidos, ao contrário da primeira etapa de votação, não tem qualquer interferência nisso. O aval a um determinado presidenciável é mais uma demonstração de força política.

Qualquer que seja o eleito, o bloco quer manter ao menos os espaços que possui no governo Michel Temer, disse a fonte. Por exemplo, o PP comanda atualmente os ministérios da Saúde e da Agricultura, além da presidência da Caixa, e o PR controla a pasta dos Transportes.

O grupo deverá tomar uma decisão conjunta —assim como ocorreu quando fecharam com Alckmin—, mas há a possibilidade real de racha do grupo. Isso porque o DEM —tradicional crítico do PT— não deve referendar um apoio à candidatura de Haddad, mesmo diante de uma eventual posição dos demais integrantes do bloco nesse sentido.

O presidente licenciado do partido de Bolsonaro, Luciano Bivar, admitiu mais cedo à Reuters que há conversas entre integrantes da campanha do candidato do PSL com lideranças de partidos que atualmente estão coligados com Alckmin a fim buscar um apoio à candidatura do militar da reserva para uma disputa de segundo turno, mas não quis dar detalhes das tratativas.

O coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado Major Olimpio, disse não acreditar que a presença em cargos faça parte das negociações em torno de apoio de partidos a Bolsonaro no segundo turno.

“Se depender de fatura, não estará com o Bolsonaro. Ele jamais entraria no toma lá, dá cá”, destacou Olimpio, ao ressalvar que esse questionamento tem de ser feito ao próprio presidenciável —que está hospitalizado há quase duas semanas se recuperando de um atentado em evento de campanha em Juiz de Fora (MG).

ARTILHARIA
Na reunião da noite de terça-feira com partidos aliados, Alckmin foi cobrado a subir o tom contra os rivais. O tucano, que resistia a um ataque mais incisivo, decidiu elevar o tom contra Bolsonaro e Haddad nos programas e inserções no rádio e na TV.

Ele vai explorar ainda mais as declarações polêmicas do candidato do PSL e associando uma possível volta do PT ao poder a uma crise econômica que poderia levar o Brasil a enfrentar uma penúria nos moldes venezuelanos, disse outro dirigente partidário presente ao encontro à Reuters.

Essa decisão —a principal iniciativa para tentar reverter o mau desempenho nas pesquisas ao Palácio do Planalto— foi tomada após o candidato reunir pela primeira vez desde que começou a campanha os representantes dos nove partidos que compõe a coligação tucana, de acordo com essa fonte.

Um indicativo de que o grupo aposta cada vez menos no tucano nesse encontro foi que nem todos os presidentes de partidos estiveram presentes. O Solidariedade, por exemplo, enviou um representante, enquanto a Força Sindical, que forma a base do partido, nesta quarta-feira fazia ato de apoio ao presidenciável do PDT, Ciro Gomes, junto com outras centrais sindicais.

De acordo com a fonte, durante toda a reunião o PSDB tentou demonstrar que ainda há tempo de reverter a situação de Alckmin nas pesquisas, citando a campanha de Aécio Neves em 2014. Na época, o senador estava em terceiro nas pesquisas faltando o mesmo tempo para a eleição e só se aproximou e passou de Marina Silva na última semana.

Segundo a fonte, havia um clima de preocupação na reunião e de cobrança para que Alckmin fosse mais incisivo, em uma última tentativa de reverter resultados nos poucos dia que faltam até o primeiro turno.

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 Campanha de Bolsonaro conversa com aliados de Alckmin em busca de apoio em segundo turno, diz dirigente do PSL

20/09/2018
Ricardo Brito
Reuters

Integrantes da campanha do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, começaram a conversar com lideranças de partidos que atualmente estão coligados com o adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, a fim buscar um apoio à candidatura do militar da reserva para uma disputa de segundo turno, afirmou à Reuters o presidente licenciado do partido de Bolsonaro, Luciano Bivar.

“Cada um individualmente tem tido conversas. Estamos numa bifurcação bem definida. Se querem um candidato patrocinado por um cara que está na prisão e afundou o país —esse a gente sabe que é terrível— e a favor de um sistema estatizante ou alguém que defende o livre mercado e está cercado de pessoas com boa intenção”, disse Bivar, que não quis dar detalhes das conversas.

Na véspera, o coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado federal Major Olimpio, admitiu haver conversas de dirigentes de partidos aliados ao tucano com a campanha de Bolsonaro para um eventual apoio no segundo turno, embora tenha destacado que ele não participa diretamente dessas tratativas.

Olimpio, que é candidato ao Senado, disse ser “natural” Bolsonaro receber o apoio de parte das legendas que apoiam Alckmin e citou dois exemplos: o do DEM e do Solidariedade, partidos que tradicionalmente fazem oposição a governos do PT. Ele aposta que o candidato petista Fernando Haddad estará no segundo turno contra Bolsonaro. Por outro lado, acredita que parte do PP e PR podem apoiar Haddad.

Embora o trabalho seja para começar a campanha para um segundo turno, provavelmente contra Haddad, Bivar afirmou que os aliados do candidato vão trabalhar para tentar garantir uma vitória do candidato ainda no primeiro turno na reta final do pleito, com a defesa do chamado voto útil. Isso ocorre quando eleitores acabam votando em candidatos que têm mais chances de vencer e não os de sua preferência.

Na mais recente pesquisa Ibope, Bolsonaro aparece com 35 por cento dos votos válidos no primeiro turno — para se eleger na primeira etapa o candidato precisa ter metade mais um desse tipo de voto (quando são excluídos eleitores que anularam ou votaram em branco). Haddad, adversário mais próximo, tem 24 por cento dos votos válidos.

O dirigente partidário disse ser possível vencer na primeira etapa. Segundo ele, o eleitor não vai querer “correr o risco de entregar o governo a um regime socialista” e que seria melhor votar logo em Bolsonaro a escolher outras opções de presidenciáveis como Geraldo Alckmin (PSDB), João Amoêdo (Novo), Alvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede).

Bivar considerou que a estratégia de campanha de Alckmin, que começou a divulgar vídeos em que defende voto útil no tucano para fazer frente a Bolsonaro e a Haddad, acabou por beneficiar o candidato do PSL.

“Tenho a impressão que o Alckmin arranjou um marqueteiro que rema contra ele”, ironizou o presidente licenciado do PSL, para quem “parte significativa” dos votos ao tucano deve ir para Bolsonaro.

DEBATES E CPMF
Bivar reafirmou que o candidato a vice da chapa, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), não vai representar Bolsonaro em debates. Essa decisão foi tomada na reunião da véspera, que o próprio Mourão, em entrevista mais cedo à Reuters, tinha relatado.

“A conclusão é que o Bolsonaro é insubstituível”, disse. “Entendemos que a presença, a representação física dele, ninguém está autorizado a representá-lo”, disse.

O dirigente partidário preferiu não tecer comentários sobre polêmicas declarações de Mourão, como a de que seria possível fazer uma revisão constitucional por um grupo de “notáveis” que não seja eleito pela população e a de que, em áreas carentes, a criação por mãe e avó pode levar a uma fábrica de desajustados que tendem a ingressar em quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas.

Bivar, contudo, negou que haja um desconforto na campanha com as falas do vice. “Não, não, em absoluto”, disse.

O dirigente disse ainda que a proposta de recriar um imposto sobre movimentação financeira aos moldes da CPMF não tem por objetivo aumentar a carga tributária. Ele explicou que, ao contrário, a ideia é reduzir o número de impostos e aglutiná-los em uma única alíquota.

Bivar conversou na reunião em São Paulo na véspera com o economista Paulo Guedes, principal assessor econômico da campanha, e na manhã desta quarta com o economista Marcos Cintra, que tem participado da elaboração do programa de economia do candidato do PSL.

“Não é criação de um novo imposto. É a aglutinação de vários impostos. Tínhamos antes um manicômio tributário. Com a mudança, vamos diminuir a carga tributária”, afirmou.

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 Haddad admite surpresa com velocidade do crescimento em pesquisas, mas evita expectativa sobre 2º turno 

20/09/2018
Lisandra Paraguassu
Reuters

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, admitiu ter se surpreendido com o rápido crescimento nas pesquisas, demonstrado pelo levantamento do Ibope divulgado na terça-feira, que mostra o petista já com 19 por cento das intenções de voto, isolado em segundo lugar na corrida presidencial.

“O crescimento era esperado, mas não esperávamos que fosse tão rápido”, disse Haddad na manhã desta quarta ao chegar para uma caminhada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo

A pesquisa Ibope mostrou o petista saltando 11 pontos percentuais em relação ao resultado da semana anterior. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com 28 por cento, lidera com folga a disputa para o primeiro turno.

Haddad, no entanto, não quis dizer se acredita estar já em um segundo turno com Bolsonaro.

“Não vamos fazer esse tipo de prognóstico. Ainda tem muito chão pela frente, temos mais de duas semanas de campanha”, afirmou.

FAZENDA
Haddad foi mais uma vez questionado sobre a composição de sua possível equipe econômica, mas disse que não trabalha com nomes ainda.

“É natural que algumas pessoas especulem, mas nós não estamos trabalhando ainda com a equipe. Equipe começa a montar no segundo turno para ganhar a eleição”, disse.

Como mostrou a Reuters, Haddad já tem um perfil para seu futuro ministro da Fazenda, no caso de ser eleito: alguém próximo da academia mas que tenha boa interlocução com o mercado. O petista também não pretende indicar um político para o cargo.

Perguntado sobre esse perfil, o candidato disse que é necessário alguém “pragmático”.

“É um perfil pragmático no sentido de buscar solução para o problemas do povo. Sem ser sectário. Às vezes os economistas figurões são muito sectários, acham que são os donos da verdade. Quando você está no governo tem que ter jogo de cintura, pragmatismo, flexibilidade para buscar soluções”, respondeu o candidato.

CRÍTICAS
Atacado mais uma vez pelo pedetista Ciro Gomes, que afirmou que o Brasil não “suporta mais um presidente fraco”, Haddad manteve a postura de evitar críticas diretas, mas dessa vez alfinetou o rival.

“Ciro é meu amigo mas às vezes temos visões diferentes. Força de um presidente para mim primeiro é firmeza. Segundo, autocontrole. Tem que ter essa duas qualidades para conduzir o país: firmeza de propósitos e muito autocontrole para evitar provocação. Eu sou uma pessoa firme e controlada”, disse.

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  Bolsonaro chama de "mal intencionadas" notícias de que recriaria CPMF

20/09/2018
Eduardo Simões
Reuters

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, classificou nesta quarta-feira de “mal intencionadas” as notícias de que ele recriaria a CPMF caso eleito, após o jornal Folha de S.Paulo publicar que a proposta foi aventada pelo seu coordenador econômico durante encontro com investidores.

Em mensagem no Twitter, Bolsonaro, que lidera a corrida presidencial e está internado na unidade semi-intensiva do hospital Albert Einstein se recuperando de duas cirurgias após sofrer uma facada no início do mês, pediu que seus eleitores ignorem essas notícias.

“Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendemos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso”, escreveu o presidenciável em sua conta no Twitter.

A mensagem de Bolsonaro foi publicada após a proposta atribuída pelo jornal a Guedes ter sido alvo de duros ataques de adversários de Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto.

O candidato do PDT, Ciro Gomes, classificou a ideia de unificar as alíquotas de Imposto de Renda, também atribuída a Guedes pela Folha, de “fascista” por cobrar mais de quem ganha menos e menos de quem ganha mais.

Já o postulante do PSDB, Geraldo Alckmin, classificou a proposta de “atrasada e cruel” e indagou que outras “maldades” o candidato do PSL estaria escondendo.

Marina Silva, presidenciável da Rede, declarou-se contra a recriação da CPMF e defendeu uma reforma tributária focada na simplificação, descentralização e combate às injustiças.

O coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado federal Major Olimpio, disse que o presidenciável telefonou para Guedes de seu leito hospitalar na manhã desta quarta para pedir explicações ao conselheiro.

Também nesta quarta, uma fonte com trânsito na campanha de Bolsonaro disse que um imposto nos moldes da CPMF, com incidência sobre movimentações financeiras, viria no lugar da adoção de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em simplificação tributária promovida em eventual governo do candidato do PSL.

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  Proposta tributária atribuída a economista de Bolsonaro é "cruel", diz Alckmin

20/09/2018
Eduardo Simões
Reuters

A proposta de mudanças tributárias que teria sido defendida por Paulo Guedes, coordenador econômico do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, é “atrasada e cruel”, disse nesta quarta-feira o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo relata que Guedes afirmou a investidores que, se o candidato do PSL vencer as eleições, um novo imposto nos moldes da extinta CPMF será criado. Além disso, o principal conselheiro econômico de Bolsonaro também teria afirmado que criaria uma alíquota única de Imposto de Renda, de 20 por cento.

“A proposta de Bolsonaro e Paulo Guedes é atrasada e cruel. Além da absurda volta da CPMF, querem fazer quem ganha menos pagar mais Imposto de Renda. O candidato está infeliz porque seu pacote de maldades foi revelado. O que mais será que ele esconde?”, escreveu Alckmin em sua conta no Twitter.

As supostas ideias tributárias de Guedes também foram alvo de críticas de outros candidatos ao Palácio do Planalto. Ciro Gomes (PDT), por exemplo, classificou a unificação das alíquotas do IR de “fascista”.

A presidenciável da Rede, Marina Silva, também se colocou contra a criação de um novo tributo nos moldes da CPMF em entrevista coletiva após participar de sabatina em São Paulo.

“Eu sou contra recriar a CPMF. E nós temos uma proposta de reforma tributária, temos os princípios de uma reforma tributária”, disse.

“Os princípios da nossa reforma tributária são de simplificação, de descentralização, de combate à injustiça tributária —porque os mais pobres acabam pagando mais— e o princípio da impessoalidade”, defendeu.



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