DIA 24 DE MAIO DE 2018

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Greve de caminhoneiros autônomos é reforçada com adesão de transportadoras

2. Protesto afeta produção de carne; leite é descartado, falta ração e combustível

3. Cooxupé alerta sobre atrasos na exportação por protestos de caminhoneiros

4. Câmara errou cálculo para compensação de PIS/Cofins e projeto terá que ser ajustado, diz Marun

5. Representante de caminhoneiros quer resposta imediata de governo em reunião

6. Ação da Petrobras desaba 14% e empresa perde R$47 bi em valor de mercado após reduzir preço do diesel

7. Sem combustível, frotas de ônibus são reduzidas em várias cidades

8. Greve de caminhoneiros ainda não afetou economia, mas pode acontecer se durar mais, diz fonte da equipe econômica

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Greve de caminhoneiros autônomos é reforçada com adesão de transportadoras 

24/05/2018
Leonardo Goy
Reuters

As empresas transportadoras de carga aderiram na quarta-feira ao movimento dos caminhoneiros, que até então era predominantemente conduzido pelos autônomos, elevando para mais de 1 milhão de caminhões a adesão à paralisação, disse nesta quinta o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes.

“As empresas aderiram por conta do preço dos combustíveis e também porque seus caminhões não conseguem circular”, disse Lopes, em entrevista para reiterar que a paralisação da categoria só será encerrada quando a isenção da alíquota do PIS/Cofins sobre o diesel, já aprovada pela Câmara dos Deputados, seja publicada no Diário Oficial da União.

Lopes se disse “decepcionado” com informações de que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), deixaria Brasília ainda nesta quinta-feira e que a isenção do tributo pode não ser votada no Senado. “Isso me decepciona. O sentimento é de revolta”, disse.

Segundo a assessoria da Presidência do Senado, Eunício ainda se encontra em Brasília, e deve seguir para Fortaleza na parte da tarde para uma solenidade.

Uma fonte na secretaria-geral do Senado, afirmou que o projeto não deve ser votado nesta quinta-feira, já que a ordem do dia da Casa já foi encerrada e o projeto ainda não foi recebido pela Casa.

“Se o governo não atender o que estamos pleiteando vai parar o país”, disse Lopes, destacando que mesmo depois que o movimento for encerrado, ainda vai levar até 12 dias para que o abastecimento seja totalmente normalizado no país.

Além da desoneração, Lopes disse que os caminhoneiros querem um prazo de pelo menos 30 dias entre um reajuste e outro do preço do diesel pela Petrobras.

“Tem gente na categoria que defende prazos até maiores, de 60 ou até 90 dias, mas a partir de 30 já resolve”, disse o presidente da Abcam.

Segundo dados da entidade, o país tem agora 330 interdições de rodovias, em 23 Estados.

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 Protesto afeta produção de carne; leite é descartado, falta ração e combustível 

24/05/2018
José Roberto Gomes
Reuters

O total de unidades processadoras de carnes suína e de aves paradas no Brasil em decorrência dos protestos de caminhoneiros aumentou para 120 nesta quinta-feira, de 78 na véspera, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Conforme a entidade, os danos ao sistema produtivo “são graves e demandarão semanas até que se restabeleça o ritmo normal em algumas unidades produtoras”.

“A situação nas granjas produtoras é gravíssima, com falta de insumos e risco iminente de fome para os animais”, afirmou a ABPA, em nota, acrescentando que mais de 175 mil trabalhadores estão com as atividades suspensas.

Em Santa Catarina, um dos principais produtores nacionais dessas carnes, o risco é de “imprevisível impacto de ordem sanitária” em decorrência dos protestos, afirmaram o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado (Sindicarne) e a Associação Catarinense de Avicultura (Acav).

“A ameaça atual e iminente é de perda massiva de ativos biológicos com início de mortandade nas principais regiões produtoras”, alertaram as entidades, lembrando que Santa Catarina conta com um plantel de 5 milhões de suínos e 118 milhões de aves alojadas.

LEITE E RAÇÕES
Produtores no Sul começam a descartar o leite estocado nos resfriadores e das ordenhas diárias pela falta de captação pelas cooperativas e indústrias, uma vez que o transporte está comprometido, segundo informação da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Os protestos dos caminhoneiros contra a alta do diesel estão nesta quinta-feira em seu quarto dia seguido e afetam 23 Estados e o Distrito Federal.

O setor de rações também emitiu alertas quanto à situação no país.

“A continuidade e recrudescimento da mobilização dos caminhoneiros pode comprometer sobremaneira a entrega das rações e sal mineral para animais de produção, além dos alimentos para cães e gatos”, afirmou o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

“Apesar de enviar todos os esforços possíveis, os empreendedores sofrem também com a interrupção do transporte de milho, farelo de soja, aditivos e outros insumos usados na produção.”

COMBUSTÍVEIS
No Rio de Janeiro, só há combustível nos pontos de venda do Estado até o meio da tarde, disse o presidente do sindicato dos postos do Estado, Ronald Barroso.

“Já há cidades onde não há mais estoque de combustível, como em Volta Redonda”, disse ele. “Os estoques são feitos para três dias, e como a greve já tem quatro dias começa a faltar”, adicionou.

Em postos do interior e da região dos Lagos, motoristas dizem que o litro pode sair a quase 10 reais, devido à escassez do produto.

Na capital fluminense, há filas em postos de todas as regiões e alguns motoristas estão armazenando combustíveis em galões.

“As filas estão grandes e o estoque está no fim... nunca vi nada assim na história recente do país”, disse Monica Gadelha, administradora de um posto da zona sul do Rio.

O transporte público no Rio de Janeiro está prejudicado com veículos circulando com a frota menor que a usual.

As barcas vão reduzir os horários da travessia Rio-Niterói a partir de sexta-feira.

Caminhoneiros mantêm protestos e bloqueios em estradas do Estado e há uma concentração na Refinaria Duque de Caxias e em um polo de distribuição próximo da unidade da Petrobras.

A situação de filas em postos de combustíveis se repete por todo o país.

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 Cooxupé alerta sobre atrasos na exportação por protestos de caminhoneiros

24/05/2018
Marcelo Teixeira e Marcy Nicholson
Reuters

A Cooxupé, maior exportadora de café do Brasil, alertou nesta quinta-feira os clientes estrangeiros sobre possíveis atrasos no embarque devido aos protestos dos caminhoneiros em todo o país, segundo uma executiva da cooperativa.

Evelyse Lopes, gerente de exportação da Cooxupé, disse à Reuters que a empresa enviou mensagens a clientes dizendo que não está recebendo contêineres vazios em seus armazéns para carregar café. E contêineres carregados não estão sendo transportados para portos, acrescentou ela.

A Cooxupé disse que as companhias marítimas estão alertando que podem não parar no porto de Santos, o maior da América Latina, se os protestos dos caminhoneiros continuarem.

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 Câmara errou cálculo para compensação de PIS/Cofins e projeto terá que ser ajustado, diz Marun 

24/05/2018
Lisandra Paraguassu
Reuters

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta quinta-feira que houve um erro de cálculo na compensação prevista no projeto de lei da reoneração da folha de pagamento que zerou o PIS/Cofins para o diesel, e que o texto aprovado na véspera pela Câmara dos Deputados terá que ser ajustado.

“Em relação à divergência de cálculo no projeto aprovado pela Câmara, os cálculos foram refeitos e a nossa era a posição correta. Agora é avançar em um ajuste em relação à medida adotada ontem pela Câmara”, disse o ministro a repórteres.

A compensação prevista pelo relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) era de 3,5 bilhões de reais. O governo afirmava que o valor seria entre 10 e 15 bilhões.

Marun disse ainda que espera uma trégua dos caminhoneiros a partir de reunião da tarde desta quinta-feira, uma vez que o governo avançou no tema com a decisão da Petrobras de reduzir o diesel em 10 por cento por 15 dias.

“Se avançou em preço e previsibilidade. Hoje já temos tomadas medidas concretas que podem resultar em uma trégua para que as outras reivindicações possam ser analisadas com mais tempo e a necessária responsabilidade”, disse o ministro.

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 Representante de caminhoneiros quer resposta imediata de governo em reunião

24/05/2018
Lisandra Paraguassu
Reuters

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, disse nesta quinta-feira antes de reunião com integrantes do governo que espera uma resposta imediata do Palácio do Planalto às demandas dos caminhoneiros e afirmou que a categoria não quer dar trégua no quarto dia de paralisação.

Bueno disse ainda que as promessas feitas pelo governo não têm credibilidade e que, pelo que soube da proposta que pode ser feita pelo governo, ela não atende às demandas da categoria.

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 Ação da Petrobras desaba 14% e empresa perde R$47 bi em valor de mercado após reduzir preço do diesel 

24/05/2018
Paula Arend Laier
Reuters

As ações da Petrobras desabavam mais de 10 por cento na bolsa brasileira nesta quinta-feira, com a perda de valor de mercado alcançando cerca de 47 bilhões de reais, em meio à reação negativa de investidores após a companhia reduzir o preço do diesel em razão dos protestos dos caminhoneiros.

Às 13:25, as preferenciais da petrolífera de controle estatal caíam 14,5 por cento, a 19,90 reais; e os papéis ordinários perdiam 14 por cento, a 23,34 reais. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,7 por cento.

Considerando essas cotações, a perda de valor de mercado da companhia somava 47,2 bilhões de reais, para 285,2 bilhões. Se os papéis fecharem nesse patamar, a Petrobras deixa de liderar o ranking de valor de mercado da bolsa, com a Ambev recuperando o posto, com valor de 317 bilhões de reais.

Na véspera, a Petrobras anunciou redução em 10 por cento no valor do diesel nas refinarias a partir desta quinta-feira, em uma decisão “excepcional” devido aos protestos dos caminhoneiros, que deve resultar em perda de 350 milhões de reais em receita para a companhia.

Analistas cortaram a recomendação dos papéis da companhia, citando preocupação com aumento dos riscos de ingerência política na estatal.

“Os recentes eventos trouxeram a política técnica de preços da Petrobras para o debate político e tememos que aumentem os riscos de interferência”, afirmou o analista Regis Cardosos, do Credit Suisse, que reduziu a recomendação para os ADRs (recibo de ação negociado nos EUA) da companhia para ‘neutra’, mantendo o preço-alvo em 15 dólares.

“As regras do jogo mudaram”, destacou o analista André Hachem, do Itaú BBA, que cortou a recomendação para ‘market perform” e também reduziu o preço-alvo das ações preferenciais para 27 reais ante 32 anteriormente.

“Tudo que precisa é uma pequena percepção de intervenção negativa”, afirmou o analista Bruno Montanari, do Morgan Stanley, que reduziu a recomendação do ADRs da empresa de ‘overweight’ e cortou o preço-alvo de 15 para 13 dólares.

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  Sem combustível, frotas de ônibus são reduzidas em várias cidades

24/05/2018
Mariana Tokarnia
Agência Brasil

A greve dos caminhoneiros, que chega hoje (24) ao quarto dia, começa a afetar o transporte urbano em diversas regiões do país. As empresas estão reduzindo o número ônibus em circulação devido à dificuldade no abastecimento. A situação, de acordo com organizações locais, pode ficar crítica a partir de sábado, caso persista a paralisação.

Em Belo Horizonte, a circulação dos ônibus foi cortada pela metade nos períodos de menor pico, entre 9h e 16h e entre 20h e 0h. Nos demais horários, a frota é mantida integralmente, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setrabh). Caso o desabastecimento permaneça, o sindicato diz que a partir de amanhã a situação pode se agravar e, no sábado, "há risco grande de parar".

Em Recife, no horário de pico, das 5h às 8h, a circulação dos ônibus foi reduzida de 10% a 30%, segundo o órgão gestor, a Grande Recife Consórcio de Transporte. Ao todo, 1,8 milhão de pessoas são transportadas diariamente na cidade.

O consórcio autorizou as empresas a reduzir a circulação de metade dos veículos fora do horário de pico, 8h às 17h, para economizar combustível, e garantir a volta dos trabalhadores para casa ao final do expediente. "Essas medidas contingenciais são uma tentativa de prolongar o serviço de transporte público o máximo possível, até a solução definitiva por parte do governo federal", informou o consórcio, em nota.

No Distrito Federal, de acordo com a Associação Brasiliense das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiro (Transit), que representa as cinco empresas responsáveis pelo transporte de 75% dos passageiros, a circulação segue normal, mas caso a paralisação dos caminhoneiros persistir, a partir de sábado pode haver redução da frota. De acordo com o presidente executivo da associação, Sebastião Barbosa Neto, já há redução de usuários em alguns locais, uma vez que, com medo de não conseguir retornar para casa no final do expediente, eles estão deixando de usar o transporte.

Em Curitiba, nesta madrugada, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria de Segurança Pública e o Exército iniciaram a Operação Diesel, para garantir o deslocamento dos caminhões de combustíveis até as garagens das empresas de transporte coletivo. Com isso, de acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), os ônibus vão rodar normalmente pelo menos até domingo (27).

Alerta
Devido à falta de diesel e ao aumento de preço do combustível, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) emitiu alerta informando "redução na frota e suspensão do serviço" em várias cidades. A entidade representa mais de 500 empresas no país.

De janeiro a maio deste ano, a associação estima o aumento médio de 11% no preço do diesel para o setor. O combustível representa 23% nos custos do transporte urbano. A maioria das empresas compra o combustível diariamente. A associação chama a atenção para a necessidade imediata de repasse do custo do diesel para as tarifas, controladas pelo poder público. “A política de preços da Petrobras é insustentável. As tarifas terão que ser majoradas, porque não há como as empresas suportarem. Com isso, sofre toda a população”, diz, em nota, o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha.

A NTU pede um tratamento diferenciado na política de preços de reajustes de combustíveis, seja por meio de desonerações de tributos, seja com outras alternativas, visto que o setor é regulado e a oferta de serviços é feita mediante contratos, com reajustes anuais de preços.

Segundo dados da Petrobras, nos últimos 45 dias, de 4 de abril a 18 de maio, houve aumento de 25,42% do diesel nas refinarias. "Para a NTU este é um indicativo claro de que os preços estão sendo represados, mas poderão disparar a qualquer momento", acrescenta a nota.

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  Greve de caminhoneiros ainda não afetou economia, mas pode acontecer se durar mais, diz fonte da equipe econômica

24/05/2018
Marcela Ayres
Reuters

A paralisação dos caminhoneiros que adentra o quarto dia nesta quinta-feira ainda não impactou a economia com força, afirmou uma fonte da equipe econômica, mas ressalvando que o efeito pode ser relevante se o movimento se prolongar por semanas.

“A questão é que a gente está começando a fazer conta. Como foi muito curto, o efeito é provável que não seja relevante. Se ficar por semanas, é provável que seja relevante”, acrescentou a fonte, falando à Reuters em condição de anonimato.

Internamente, o time econômico ainda está “procurando caminhos” para calcular esse efeito, mas considera a conta “muito difícil” de ser feita.

Por enquanto, o governo calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá 2,5 por cento neste ano, menos do que os 3 por cento esperados antes devido à surpresa negativa da atividade no trimestre passado, em meio à baixa confiança dos agentes econômicos e elevado desemprego.

Nesta manhã, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) afirmou que os protestos contra a alta dos preços do diesel e a carga tributária no combustível continuarão até que a isenção da alíquota PIS/Cofins sobre o produto, aprovada na véspera pela Câmara dos Deputados, seja publicada no Diário Oficial da União.

A questão representa um impasse pois o governo argumenta que seriam necessários 12,5 bilhões de reais, num cálculo inicial, para cobrir a perda de receitas com a renúncia tributária.

“Não sei qual vai ser a solução dada pra isso. Sei que precisa fazer a compensação (pela perda com arrecadação)”, disse a fonte. As contas públicas do país têm sofrido sucessivos rombos

A paralisação dos caminhoneiros prossegue com bloqueios em estradas de todo país, provocando desabastecimento de produtos e enormes filas de motoristas em postos de combustíveis, apesar de a Petrobras ter anunciado na véspera uma redução de 10 por cento dos preços do diesel nas refinarias por 15 dias.

Diversos setores da economia já relatam desabastecimento e prejuízos na exportação.

Economistas consultados pela Reuters consideram que ainda é cedo para avaliar quais cadeias serão afetadas e portanto qual o impacto que a greve dos caminhoneiros terá sobre a atividade econômica do segundo trimestre, preferindo aguardar para ver quanto tempo ela vai durar.

As primeiras impressões poderiam vir com dados como os de produção de veículos e papelão, fluxo nas estradas, consumo de energia ou venda de veículos, de acordo com os especialistas.

“Se acabar essa semana, o impacto é mínimo. Mas se o problema se estender, no mês de junho dará para ter ideia do impacto”, afirmou o economista-sênior do banco de investimentos Haitong, Flávio Serrano.



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